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quinta-feira, 8 de julho de 2010

E é assim digam o que disserem

Eu devia estar seriamente preocupada com o rumo que os meus pensamentos andam a ter durante certos momentos, quer acordada ou a dormir. Para variar tive outro daqueles sonhos. Vocês sabem, qualquer coisa que viole a minha integridade física. Devia começar a ficar assustada? É que por este andar começo a pensar que alguma catástrofe se está a avizinhar. Pensamentos sobre morte já não faltam e não, não era nada disto que eu queria vir para aqui escrever, mas agora saiu. Anyway, não é como se estivesse realmente preocupada e a entrar em paranóia. Foram pensamentos... ausentes? Como é que eu hei de explicar isto? Sem sentimentos. Onde me sentia indiferente em relação a esta suposições "e se eu...?". Foi estranho.
Sim, já foi cientificamente comprovado que eu não sou normal. Vocês todos assinaram como testemunhas. Mais não seja, viram, ontem, que é genético. O meu caso é somente mais... subtil.

Ok, vamos falar de coisas mais normais. Hoje fui ver as notas dos exames nacionais. Tive 17 a Português (hum, estava com esperança de um bocadinho mais, visto que será a prova de ingresso e tal, mas fez realmente diferença? com a minha média não) e, surpresa das surpresa, 19 a História — isto sim deixou-me orgulhosa.
Portanto, secundário completo, e bem completo, agora é pensar nos papéis para a Universidade. Agrada-me estar convicta. Estar decidida. Ainda penso se devo preencher mais uma ou duas opções, mas nem sei o que poria. A minha média é à volta de 18. E depois acontece que me dizem coisas deste género:
"Vais desperdiçar a tua média num curso de 12?"
Bem, sim, parece que sim. E não acho que seja desperdício nenhum se for — e é — o que eu gosto. E assim ao menos sei que entro. Portanto, lamento muito, mas eu vou deixar mesmo o Algarve.
E é tudo por hoje.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Talvez a parte do meu cérebro que trata dos sonhos tenha simplesmente avariado

Eu sei que acordei há menos de vinte minutos, mas eu preciso mesmo de contar isto. Foi um sonho. Um sonho muito estranho, e mais do que um bocadinho perturbador, que tive esta manhã. Ah, ênfase no estranho. Outra vez. Pergunto-me porque é que os meus sonhos são sempre assim: estranhos, surreais, intensos, sim, perturbadores; a minha vida está em risco em mais de 60% dos casos. Porque é que não posso ter sonhos como as pessoas normais? Não posso sonhar com um sítio onde quero ir, não posso sonhar com alguma coisa que queira fazer, nãaaao, Raquel, em vez disso tu sonhas que estás no hospital, finalmente recuperada de uma cirurgia que juntou os teus pedaços como um puzzle depois de um acidente que não faço ideia qual ter-te esquartejado os membros em sei lá eu quantas partes.
God bless my imagination!
Mas esperem que não acabou. E não, eu não me voltei a desfazer em pedaços (isso seria muito, muito mais do que um bocadinho perturbador); na verdade, eu sentia-me muito bem, inteira. As únicas cicatrizes visíveis eram umas marcas em redor de quase todos os meus dedos, claramente como se tivessem sido "colados" de volta. As articulações da mão direita doíam, mas somente essas. Não andei à procura de mais marcas no corpo, mas sabia que estavam lá. Também não estava sozinha no quarto. Havia enfermeiras a ir e vir, e sempre foram muito atenciosas. Havia também um rapaz. Tinha a impressão de que ele era quem eu queria que fosse (os mais informados acerca de mim já devem estar a ver quem era), contudo, fisicamente, era diferente. Não me recordo agora do rosto.
Então eu saí do hospital com ele e — guess what? imaginação a trabalhar, selecção da ideia mais descabida em curso — vamos ver aquela demonstração de um novo videojogo e a apresentação do videoclip da banda sonora do... Eclipse?!... feito por pessoas que eu conheço?!... num auditório sei lá onde?! Vamos! E fomos. (Oh, acho que saltei a parte em que tinha um teste de História para fazer via SMS. Sim, certo. Muito prático. Tinha feito duas perguntas já, creio; não sei se antes ou depois do incidente com os dedos.)
Mas de volta à coisa ridícula do auditório: estava cheio de gente conhecida, gente da escola, amigos, etc. Fui recebida com particular entusiasmo por uma velha amiga mas — esperem — ninguém sabia coisa nenhuma de acidente e operação; ninguém perguntou porque estivera ausente tanto tempo; ninguém reparou nas marcas nos dedos para as quais eu estava sempre a olhar. Gente atenta e preocupada, não é assim? Eu esperava realmente que notassem. Fiquei desiludida. E muito desagradada quando alguém mandou o comentário de que a minha BF estava no videoclip e não me tinha contado. Como se também tivessem muita moral para falar.
E foi isto. Não sei se teria sido mais se a minha irmã não me tivesse acordado, mas não importa. Das primeiras coisas que fiz ao levantar-me foi buscar o dicionários dos sonhos. Ora vejam:

Hospital: é sempre um lugar de advertência. Anuncia que sentimos receio em apanhar uma doença ou renitência em pôr em marcha um projecto. Está sempre ligado a graves preocupações, tanto no campo afectivo como no profissional. Se saímos dele, anuncia tempos felizes e de grande fecundidade, assim como a abertura de diferentes perspectivas para novos projectos que terão êxito.
E, contudo,
Cicatrizes: simbolizam sofrimentos passados ocultos e dissimulados. Também podem denunciar rancor e maldade. Problemas financeiros.
E por fim,
Dedos: são a imagem dos nossos entes queridos, a quem estamos ligados por fortes laços sentimentais. Devemos interpretar o sonho em função de como os vemos. Também representam a capacidade de nos relacionarmos com os outros. Se um ou mais dedos aparecem doentes ou doridos, podemos esperar que se avizinha uma doença familiar ou problemas com uma pessoa chegada. Quando estão cortados ou feridos, indicam que se avizinham conflitos familiares, e, se estão amputados, auguram perdas económicas de certa importância. (Muito tranquilizador, não haja dúvida, mas e se forem recolocados no sítio?)

P.S. INTERPRETAÇÃO PROCURA-SE.

domingo, 30 de maio de 2010

Sob Consciente

Acordei a doer-me a cabeça. Pergunto-me se a dor alguma vez tenha desaparecido completamente durante a última semana.
A questão de Direito... Pedi à minha mãe para me acordar às dez. Eu e os despertadores nunca fomos grandes amigos. Mas eu acordei antes que ela entrasse sequer no quarto. Olhei ao relógio, eram 9:59.
Já tinha referido a parte em que me doía a cabeça?
Tinha sonhado que os meus amigos (não é que me apeteça muito chamar amigos depois disto) me tinham deixado para trás num bar. Propositadamente.
Tinha sonhado que corria desalmadamente atrás deles.
Tinha sonhado que gritava histericamente com eles. Não obtia resposta.
Mas o assunto da discussão não é tanto um sonho.
Acabei de perceber que acredito inteiramente na teoria de Freud sobre o inconsciente.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Preciso da reencarnação de Freud

Hoje vou falar de sonhos. Um sonho. Um nome. Esta manhã.
Foi tudo um pouco confuso de compreender, os porquês e como's e para quês. Vai haver muitos "não sei bem", aviso já. Eu também gostava de percebê-lo claramente. Contudo, e estranhamente, acordei bem. Para somente mais uma hora de sono do que o costume (uma hora, ou quase, cobrada em sonhos), não acordei como se mal pudesse abrir os olhos. Não saltei da cama cheia de energia, evidentemente, mas, lado positiva, não me sentia — sinto — cansada. Nota mental (ando a apanhar esta mania contigo): continuar a deitar-se uma hora mais cedo.
Mas de volta à história do sonho. Bem, ao que me posso lembrar. Foi uma grande, grande mistura de factores; a minha bela imaginação andou a juntar memórias tipo puzzle e saiu algo digno de filme (ou não). A primeira coisa de que me recordo é de estar num hipermercado tipo gigantesco — e de deixar qualquer coisa mal posta, afastar-me, e quando voltei costas esta toda a gigantesca prateleira recuada para trás (rodas?) e os pobres empregados andavam a apanhar o que fosse. Eu estava ansiosa e preocupada. O incidente não teve qualquer relação com o resto do sonho. Estava com a minha mãe, embora não andasse propriamente em cima dela. Mas ia controlando. Acho que ela falou uma vez ao telefone, ou teria sido a minha avó depois? Anyway, ela pediu à minha avó para ela contactar a mãe de uma rapariga — uma estranha que sabíamos ter falecido — e acertar quanto é que ela queria pelo coração (??) da filha morta. Okey, isto parece mórbido, mas nós tínhamos um motivo válido: era para salvar alguém da família. Não sei quem. Inicialmente, pensava que era o meu avô (ele já faleceu); quando a minha avó falava ao telefone em lágrimas, parecia como se fosse para a minha mãe (certo, não faz sentido); quando acordei, pensei que poderia ser para a minha irmã; agora, ocorreu-me que poderia ser para mim (??). Continuando, eu saí de onde quer que estivesse — sem falar com nenhuma delas — e dei por mim numa casa de banho do que parecia ser uma escola tipo internato (descobri isso quando saí), a olhar para o espelho. Agora vem a parte realmente estranha. Eu vi a rapariga morta no espelho. Não era bem uma rapariga, mas uma mulher, e parecia vinda do século passado, ou do anterior a esse. Depois (surreal em força) eu fui como que transportada para o tempo em que ela andava nessa escola — sei-o porque saí da casa de banho e estava mesmo frente a um pátio cheio de gente vestida como no século passado. And then, o meu telefone toca. Sim, pois, conveniente. Olhei o ecrã e vi o nome: Ricardo Moreira. E agora é que a coisa se torna intrigante. Não conheço ninguém com esse nome. Nunca o ouvi. Nem mesmo no sonho o reconheci. Mas atendi mesmo sem saber quem era. Ao princípio, soou-me voz de homem, homem mesmo. Então ele disse que era "o rapaz que eu tinha atropelado nas piscinas". O atropelado era em sentido figurado. Não faço ideia do tinha acontecido nas piscinas, mas eu soltei uma exclamação muito evidente — soube quem era. Mesmo não tendo agora a mínima imagem mental de quem era, eu reconheci-o de um passado que fazia parte do próprio sonho, e, deixado muito óbvio nessa surpresa, de alguma forma, eu gostava dele e gostava que me tivesse telefonado. Obviamente, eu tinha que acordar nessa altura. Não sei se a parte em que ele me perguntava onde estava fez realmente parte do sonho ou da imaginação posterior, mas havia ali qualquer coisa, eu sabia desse clique invisível entre nós que tinha acontecido nessa primeiro incógnito encontro.
E foi isto. Não paro agora de pensar que esse nome — Ricardo Moreira — é importante. Foi o único detalhe claro e inquestionável num sonho confuso e cheio de pontos de interrogação. Quererá dizer alguma coisa? Quão lógico será acreditar que foi apenas um nome, aleatório, sem significado? É que eu não consigo acreditar que assim seja. Mas se não pertence ao passado... sim, é absurdo achar que pertencerá ao futuro. Mas não deu para impedir o pensamento.
Por tudo isto, preciso urgentemente de uma reencarnação de Freud.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Problema Técnico

Estou sem internet em casa. Isso explica muita coisa.
Quero escrever e escrevo. Quero publicar e não posso. Quanto tiver...
Ai se chegasse esta tarde a casa e já funcionasse!...
Vou desregular todo o calendário quando retroceder para pôr o que ficou de um fim-de-semana com um quê de ordinário, outro de aborrecido e outro ainda, maior, de tempo bem aproveitado. Mas quem se importa?
Sonhei com a continuidade de um sonho, ontem ou hoje, sonho esse que não me lembro, mas não era real, e eu sabia ter acontecido. Não faz sentido. Alguma coisa a ver com testes. Não interessa. Apenas olhei para o título do blog e pensei que há muito tempo que não falava dos meus sonhos - aqueles que se tem a dormir.
Acordada, a história é outra.
Ultimamente, tão igual de irreal. Um dia mudo de planeta.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Prenúncio?

E tinha muita coisa para dizer. Tinha.
Tenho.
Mas cada qual pertence ao seu sítio e aqui, aqui pertence o tudo e o nada e, oh, o sonho.
Hoje vou escrever em quase todos os blogs que tenho. Senão ficaria uma eternidade num mesmo post.
Para aqui, para aqui deveria falar do sonho. Um sonho real de quando estamos a dormir, e não meras aspirações fantasiadas.
O sonho de hoje fez-me acordar perturbada, faltava ainda algum tempo para levantar. Acho que inclusive me obriguei a mim própria a acordar, de tão incomodada que estava. Apertei os braços contra mim, para sentir a sua densidade, a sua força, e acreditar que não se iriam desfazer aos bocados, como nos outros tinha visto. Eu sei, foi algo macabro. Nada tinha a ver com realidade, bem sei, mas tocou aquele medo, aquela aversão por um corpo incompleto — não meramente imperfeito, pois todos os somos, mas incompleto.
Sempre foi uma coisa que me incomodou muito, não sei explicar porquê.
Foi estranho e não o contei por nada de especial. Deverá ter algum significado oculto, mas que ressuscite Freud para o compreender.
Não quero lembrá-lo mais.

Mas numa de sonho, segunda-feira sonhei que a semana estava no fim, eu não sabia das horas do autocarro para a viagem, telefonei à Rita e ela disse que era às 2h. Na tarde desse dia, a Catarina disse que alguém lhe tinha dito que o bus era às 2h da manhã de sábado. Quem quer que fosse, estava certo. E eu também.
A culpa foi da Joana que fartou-se de dizer que queria ir à noite.

2 dias & mala (quase) feita

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Cansada. Perseguida. Lembrada.

Suponho não ter dormido o suficiente hoje. Os meus olhos estão húmidos, sinto-me gelada e desejosa de sair daqui. São 9:55 e estou na aula de Português. Quero muito ir lá para fora e sentar-me ao Sol. Se ao menos houvesse Sol…
Deveria analisar um poema. Alberto Caeiro. Mas não cola comigo, nenhum dos que estão no livro, pelo menos. Ele tem razão, muita razão. Mas que não posso deixar de pensar, por muito que sinta.
O problema foi o sonho…
Parei num poema e no fim diz: “E não teremos sonhos no nosso sono.”
Se ao menos eu pudesse para de pensar, nem que fosse enquanto durmo…
O toque está mesmo aí. Conto tudo depois, na aula de História.
Hoje não estou aqui. Filosofias a mais para a minha alma. Não hoje.

(…)

São oito e meia da noite. É exactamente isso, não houve oportunidade de escrever na aula de História. O que não significa que esta tenha sido interessante. Na verdade, eu estive todo o tempo lutando por manter os olhos abertos enquanto víamos um documentário sobre a Bauhaus. Foi realmente horrível, por eu tinha a sensação de que se fechasse os olhos por mais de cinco segundos adormeceria.
Não, continuava a não estar ali.
Também não o estava em Direito. A tarde já foi melhor, na escola, certo, mas sem aulas, e apesar de que a nossa sessão de cinema foi um completo fiasco. Mas bom, ainda passamos o filme, que não vi até ao fim, precisamente porque já o vira.
Mas era para falar sobre o sonho…
Quero contar, sim, mas nem sei com que palavras. Teve em parte a ver com ela – esse ela dos outros sonhos. E foi por culpa de andar a pensar no fim do ano. De alguma forma, o meu subconsciente magicou um cenário nem sei bem onde, no qual havia nomes – os nossos, os finalistas – e prendas. Qualquer coisa como eu quero felicitar a pessoa X, então deixo uma prenda no local do seu nome. (Sem dúvida uma ideia absurda que jamais me ocorreria desperta). O que é certo é que eu estava lá para descobrir o que me haviam deixado.
E é aqui que a coisa derrapa. Tragicamente de volta ao mesmo.
Não ia sozinha. A Catarina estava comigo, embora nem saiba porque, e mais outra pessoa, lá por acaso, calculo (ou talvez com a Catarina?). Não importa. Ambos se preocuparam e me perguntaram se estava tudo bem quando comecei a chorar. Obviamente que não o estava. Mas eu não conseguia explicar-lhes porquê.
Demasiado pessoal. Algo que só eu entenderia. Algo que mal recordava. Algo que só uma pessoa poderia ter feito.
Era duas telas pintadas à mão.
A segunda fez sentido então, encaixando como a primeira num realidade que era sonho, não verdade. Não acontecera o que lá estava. Era um reflexo da primeira, quase que um pagamento não hostil, marca por marca, amizade por amizade. Mas eu nunca parti o braço.
Mas a primeira sim. Essa fez correr as lágrimas, porque era verdade. Era uma memória, e o pensamento humedece-me os olhos. E nem sequer posso recordar esse dia. Apenas sei que a fizera cair há muitos anos e que ainda hoje tem a marca no joelho. Não era para ser um quadro artístico. Eram somente dois pares de pernas, uma delas com a calça subida e uma tira branca em volta do joelho ferido. Talvez houvesse mãos preocupadas, não sei.
O que sei foi que me quebrei em lágrimas. Não via aquilo como tendo implícito “tu fizeste-me isto”. Não.
Era uma amiga que nunca se chateou com a outra mesmo quando a fizera cair.
Amigas que mal se vêm, que há séculos como dias não se falam.
Não, ainda não lhe disse nada. Não sei se o espera e temo que nem o queira. Não o que lhe diria pelo menos – se o pudesse diz. Não me vim queixar tampouco. Apenas precisava de contar.
Apenas precisava de lembrar.
As crianças que um dia fomos…


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Destino & Autocarro

Catarina! Eu não disse que tinha sonhado que andávamos juntas de autocarro?
Logo hoje, que perfeito!
A culpa não foi minha, foi o Destino!
=)=)=)

sábado, 7 de novembro de 2009

Subconsciente

Vou desistir de pedir o que quer que seja. Por ser meu, não significa que seja controlado por mim. Foge ao consciente.
E foge erradamente à minha vontade.
Por isso sonho e sonho e sonho.
Para quê subconsciente? Remate da consciência que desejamos afundar no inconsciente, mas que acaba invariavelmente por navegar sem rumo nesse meio-termo, à espera de se afirmar na impotência da razão no sono.
Pois, e logo eu que raramente sonho com pessoas familiares. Parece perseguição.
Umas palavras… um convite?
Umas escadas metálicas.
Eu atrás dela. Ela outra vez!
Alguém – seu pai? – de quem se queria esconder…
Não sei, não sei.
Negro vazio, realidade rompendo o sonho. A voz da minha mãe gritando para a minha irmã na cozinha. Estava zangada, de muito mau humor. Não queria que mexesse mais o sofá para pôr o carregador da Nintendo… E foi tudo o que percebi antes de decidir que deveria voltar a dormir.
Espanha. Um mapa da aldeia da minha avó?
A Igreja. Não queríamos cruzar por ali. Porquê?
Um caminho alternativo…
Uma árvore.
Palavras no ar. A letra de uma canção…
Era o I Can Fly do esquema de Educação Física. “Gabriel”
E acordei.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Baile

Foi um baile de início de ano, não o de finalistas que vamos organizar no final do ano. Tão tentador que, quando as bombinhas começaram a estalar e o alvoroço entupiu os corredores, eu larguei a fugir, ansiosa por sair dali...
Ia sozinha. Não importa todo o surrealismo, a tinta em madeixas castanhas nos cabelos delas, os papéis de história cobrindo o chão como uma carpete. Não importa nada disso. Importa que elas estavam lá. Importa que ela estava lá, realmente bonita num vestido azul-escuro acetinado, com uma só alça, subindo um complexo de escadas metálicas, para, quem sabe – eu não –, uma plataforma de desfile.
Importa que eu pedi para não sonhar com ela! E certamente não sonhar com ela olhando-me daquela forma, superior, indiferente. Estranha e fria.
Isso foi mesmo antes das partidas com as bombinhas de estalos. Assim, realmente porque fugi eu? E mais, de quem?
Queria deixar isto para trás. Convencer o meu inconsciente de que não mais quero saber dela. E quero? Digo que sim, e digo-o com confiança. Mas a voz fala pela razão.
Provavelmente só dou espaço ao coração quando estou a dormir. Por isso sonho...
Bem, sorte a minha que passo, literalmente, três quartos do dia acordada. E devia reduzir mais. Visto que, para sonhar, é porque dormi o suficiente.
E eu que pensava que gostava de sonhar...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

De cabeça contra a parede da realidade. Porque não foi só um sonho.

As coisas não estão bem. Não, no fundo, ainda não está “tudo bem”. Isso faz de mim uma mentirosa todos os dias, não?

Cheguei a um momento em que preciso de parar e pensar na vida. Aqui, esta noite. Seriamente. Percebi-o quando me dei conta de que estava a ser tudo o que condeno quando me vi chateada por futilidades, porque quis ir às compras e não encontrei o que pretendia. E porque acabei satisfeita quando sempre cheguei a casa com sacos. Mas não, isso não me fez realmente mais feliz. Não resolveu nada.
Ainda há cabides vazios no armário…

Estava a sonhar quando acordei esta manhã. Na verdade, aconteceu algo incrivelmente estranho. Sendo o meu despertador a minha mãe, eu somente me lembro de me levantar e ir-me vestir, sem olhar ao relógio, com a simples noção de que está na hora. Como se ela tivesse ido lá acordar-me. E bem, foi. Mas eu não o recordo de todo. De qualquer forma, o importante aqui foi o sonho. Não me lembro de nada senão do fim. Nada absolutamente, a não ser que eu havia discutido com a Ana. E não foi nada bonito. No que ficou…

Estava à saída da escola. Ela deu-me costas e foi-se embora em direcção à mata; o seu caminho é pelo outro lado. Ela não vai para a rodoviária, ela vai a pé para casa. E não estava sozinha. Entre a nebulosidade da memória, eu penso que era outra amiga que deixei partir. Do nada, sem razão, sem sentido; ali estava como uma sombra do que voltava a acontecer. E, inexplicavelmente, eu sabia que o ano lectivo estava já no fim, e eu ia para fora do Algarve…
Então eu gritei algo como: “Não te esqueças de mudar o número de telemóvel, para depois eu não conseguir entrar em contacto contigo”.

Hoje não a vi. Não sei há quanto tempo não falamos para além do “Bom dia”. Bem, na verdade até sei. A última vez foi quando ela me puxou pelo braço e quis saber a minha versão da história sobre o trabalho de português e a confusão que eu arranjei intencionalmente quando o decidi fazer sozinha sem avisar. Custa, dói realmente, porque a “lesada”, chamemos-lhe, ainda que não esteja de graças comigo, fala-me bem, e há aquele caminhar para a normalidade nas viagens de autocarro. Mas a Ana não anda de autocarro. Eu falava-lhe nos intervalos. Agora não passo os intervalos com elas, e faço-o porque me sinto melhor assim. Mas essa estranheza, esse olhar como se fosse alguém indiferente, esse quase desprezo de cada vez que vou ter com elas… Como um estalo na cara com o recado “estás fora”. E não podem dizer que não tentei. Mas vê-los com o novo vício das cartas, olhar somente em silêncio, como se não estivesse ali; pior, como se não pertencesse ali, agora e nunca. Eu queria poder dizer isto a elas. Mas para quem me conhece bem, sabe que é engolir, calar e seguir em frente. E desta vez para longe.
Mas realmente que custa. E não é a primeira vez que sonho com ela. Há uns dias sonhei que vinha falar comigo. Nem sei porque, mas o simples facto de se lembrar que ainda existo… Eu nunca me esqueci dela. É aquela amiga de infância, do infantário, a que sempre ficou… Mas ainda amiga? Posso chamar isso?
………………………………………….
Sim, agora estou a chorar……………….
……………………………………………
Eu não acho que possa acabar isto. Ainda havia muita coisa de que eu queria falar, mas simplesmente ela… Eu supunha que era boa com as separações. Não me custou daquela outra vez, a outra que surgiu no sonho (que, por coincidência ou não, fez anos ontem e eu nem lhe dei os parabéns)… Não acredito que fosse custar tanto com o “trio do bus”. Mas ela… Desde criança…
Não sei se a culpa é minha. Mas, bolas, eu vou lá cumprimentá-la e mal me olha nos olhos certas vezes! Não tinha que me puxar pelo braço para falarmos, eu já me fui sentar à sua “mesa da batota”. E era como se lá não estivesse. Realmente não penso que faça falta. E no entanto, custa. Custa porque ela sabia. Ela era a única que sabia e que não devia recriminar-me por me afastar, porque eu lhe falara este Verão. Conversámos mais do que uma vez sobre quem nos amarrava, como devíamos abrir o círculo das amizades, de mudar. Ela parecia mais confiante em fazê-lo que eu. Mas resultou no contrário. Ela continua lá. Eu não. E ela não parece gostar disso. O que é tão, mas tão injusto!
……………
Secaram as lágrimas. Mas ainda dói. E dói mais por não conseguir ver mais do que uma queda progressiva para esta amizade. Ou que o resta dela, se é que é alguma coisa. Parecia que sim no Verão. Ela escutou-me quando eu precisei, ainda passamos umas boas tardes juntas, como era dantes…
Sinto frio, muito frio. E as lágrimas estão a vir. Já devia ter parado, isto está tão longo… Mas é como pôr um ponto final e deixar para lá. Fingir que acabou. Não. Apenas secarei as lágrimas, mas a mágoa continuará lá.
Esperando outro sonho para vir ao de cima…

P.S. Está é só uma razão porque não está tudo bem. Mas eu não quero mais pensar no resto hoje. Sinto a detonação perto. Não quero atiçar mais a chama. Amanhã vai haver um sorriso, haja o que houver. Apenas não outro sonho com ela, por favor.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Surrealismo


Inspirado no sonho de 17 de Outubro
(postagem Absurdo)


Sim, e clara influência do estudo das vanguardas em História.
Somente algo que me apeteceu fazer. Há falta de tempo para desenhar, aqui temos uma montagem barata de cinco minutos. O que seja.

sábado, 17 de outubro de 2009

Absurdo

Tive estranhos sonhos esta noite. Bem, esta manhã, porque é justo antes de acordar, quando a consciência se vai esquivando do negro manto, que vêm as imagens. Isto, ou assim que adormeço. Acontece quando estou cansada, como ontem à noite, mas nunca o recordo.
De manhã não. É tudo muito nítido. Absurdamente nítido.
Começou na minha antiga escola. Não faço ideia o que lá fazia. Era de tarde e eu tinha de me apressar para apanhar o autocarro para o liceu porque ainda tinha uma aula. Piscinas. Às seis da tarde! Bem, não apanhei coisa nenhuma. Cruzei-me com antigos professores e a de Educação Física, que por algum motivo parecia a deste ano, convidou-me a entrar não sei onde, ver não sei o quê. A última coisa que recordo foi de ser deixada na casa de banho. Mas se acham estranho, ainda agora começou.
Na cena seguinte, por assim dizer, eu estava no meio do mar. Uma extensa porção de azul que não podia ver onde acabava. Mas, ridiculamente, eu tinha pé. E mais absurdo ainda, passaram por mim alguns dos autocarros que todos os dias apanho. Com o nome exacto do destino quando venho do liceu para casa. Creio ainda que tive de fugir para não ser atropelada. E lembro ainda que a certa altura, antes ou depois não sei, me vieram à cabeça cenas do Titanic, da parte em que o navio começa a afundar e se estabelece quem tem o direito de ocupar os botes. Mas então também essas imagens se foram.
No final, eu estava em Espanha, num sítio que nunca vi e que bem poderia ser um jardim. Fiquei com a impressão de que o chão era verde. Sabia que viera de autocarro com a família. E eram três autocarros. O último vinha vazio, à excepção do caixão que parecia enorme ocupando o seu centro. Estava aberto. De algum lado onde estava, dentro de um veículo, levantei-me para espreitar mas tudo o que vi foi o lençol branco. Perguntei porque não o haviam trazido num carro funerário. Acho que a resposta envolvia os custos. Enfim saí e a minha mãe lá me fez cumprimentar primos e tios, poucos deles me eram familiares, alguns pareciam recuar. Devia estar mesmo com má cara. Sei que não vi a minha avó e isso teria feito sentido. Iríamos enterrá-lo de novo, em Espanha. E de novo o ridículo é que se supunha, eu pelo menos, que ele não iria ficar lá. Afinal, pensava, a minha avó nunca iria permitir que estivesse longe. No final de tudo, antes de acordar, eu recordo que estava próxima ao caixão. Relembrava a face gelada da primeira vez, e só dizia para mim que não queria ver o rosto do jeito que estava agora.
E foi isto. Não pesou no peito, não, foi um sonho como outros. Só que incrivelmente absurdo. Sei como é um reflexo tortuoso do meu inferior, sei que o absurdo de alguma forma faz sentido. Sei que tudo isto tem um significado. Mas como não tenho Freud para me elucidar, parece que a minha próxima paragem é o Dicionário de Sonhos que está na sala.

Autocarro: pressupõe uma mudança na nossa vida em que também estão implicadas directa ou indirectamente outras pessoas.
Enterro: é sinal de que vamos sair de uma situação na qual estávamos contrariados e que nos libertaremos da nossa tristeza e dos nossos infortúnios. Avizinham-se períodos de felicidade e de estabilidade.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Egoísta

Gosto de manter a minha individualidade. Não gosto de ter alguém seguindo os meus passos. Não gosto que digam as minhas palavras, não gosto que as escrevam. Não gosto que se apaixonem pelas minhas paixões. Não gosto que exibam como seu aquilo que é meu. Não gosto que me copiem, não pretendo ser um exemplo. Gosto de ser original, gosto de ser diferente, nem que negue o resto do mundo para manter essa diferença. Não gosto que amem o que amo, porque, de alguma forma, sinto esse amor ser cortado às fatias e distribuído por um bando de seguidores que eu não pedi. Mas continuo esperando que gostem do que eu gosto, só não com a mesma fervorosa intensidade. Gosto de ser única: no que faço, no que digo, no que escrevo, no que oiço e no que visto. Não gosto de imitações, não gosto que me imitem. Não há por que me imitarem. Não há por que fazerem de mim um exemplo, quer no bom e quer no mau. Odeio-o.
E depois de tudo isto, estão no vosso direito de me chamarem egoísta.

(Também sonhei hoje. Lembro-me de pouco, mas sei que fugia de algo, não faço ideia do quê. Estava assustada, com medo. Havia uma familiaridade alterada em tudo. Ninguém para me proteger, pelo contrário, forçando-me a voltar para trás, onde eu sabia que ainda havia perigo. Na minha fuga desesperada, cometendo loucuras como nunca fiz, como pegar no carro e fugir, quando não sei conduzir, para me ver andando em círculos. Espero sinceramente que esta noite seja melhor.)

Pesadelos?

Tenho tido sonhos estranhos nas últimas duas noites. Sonhos maus, mas não creio que os apelide de pesadelos – esta definição somente encaixa para mim quando alguém acorda sobressaltado e à beira das lágrimas. Eu acordei com uma sensação estranha de ambas as vezes. Sabia que aquilo não era bom, um mau pressentimento, um aviso… Talvez somente um reflexo distorcido de tudo o que me tem vindo a acontecer: morte e despedidas, laços que se corrompem para sempre.
Não estou muito certa de querer contar isto, mas guardá-lo não servirá de nada. Culpo totalmente o meu subconsciente. Foi ele que matou uma criança inocente. Uma criança de cinco anos que é minha prima e de quem eu gosto. Não sei como, não sei porquê. Estava no primeiro dias de aulas quando soubemos a notícia. Eu estava muito abalada, mas mesmo querendo mostrar a todos a minha dor, eu não conseguia chorar. Não fui directamente para escola, estava com a minha mãe e passaria por lá mais tarde, mas às tantas esqueci-me e quando lá cheguei finalmente ainda tive de ouvir um sermão. Não sei ao certo o que aconteceu depois ou mesmo se houve depois, mas havia aquela consciência real do antes, da perda do meu avô, e de como esse fado voltara a assombrar a nossa família passado tão pouco tempo. Eu sentia-me mesmo mal. E queria mesmo que os outros vissem isso. Mas não conseguia chorar. Da mesma forma que os meus olhos estavam completamente secos quando acordei.
Hoje a história foi diferente. Mais real porventura. Muito real mesmo. Algo que aconteceu e que vai voltar a acontecer – a não ser que eu afaste os pedaços do laço desfeito. Estava algures no meio de um arvoredo, acampando quem sabe, como essas amigas que já não sinto dignas do nome. Perguntavam-se como iriam para casa, talvez até combinassem quem ia buscar quem, mas eu não estava realmente interessada em juntar-me a elas, mesmo não fazendo a mínima ideia de como voltaria para casa. Disse que ligava à minha mãe e ela iria buscar-me, todavia, não foi preciso, porque eu dei por mim em casa, que a afinal era a dois passos do local onde estávamos. Mas eu não regressara somente quando elas haviam partido. Elas ainda estavam lá. Só que eu sentira-me mal, eu sentira-me a mais e estava farta dessa sensação de exclusão, por isso dissera para mim mesma basta e vim para casa. Sem explicação voltara-lhes costas e fora. Depois elas apareceram em minha casa para devolver as tendas – ao que parece eu organizara o “acampamento” e fornecera o material. E desistira da ideia quando vira que continuava invisível. Foi um romper completo, uma ousadia da minha parte partir, uma mensagem bem clara que elas haviam captado. Uma verdade, um desejo camuflado de sonho.
E assim têm sido as minhas noites. Talvez por culpa do cansaço excessivo, o que não deixa de ser contraditório visto que isso impele o subconsciente a atormentar-me com sonhos perturbadores. Apesar de tudo, para mim sonhos. Mas serão mesmo?

pesadelo (ê)
s. m.
1. Opressão angustiosa da respiração durante o sono.
2. Sono mau, opressivo.
3. Fig. Pessoa ou coisa importuna; importunação.

Fica ao vosso critério decidir. Para mim, o verdadeiro pesadelo vivemo-lo acordados.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Primeiro Sonho

Esqueci-me do resto, esqueci-me de tudo o resto. Eu recordava-o com perfeição quando acordara. Agora, foi-se. Eu sabia como aquele pedaço de sonho era despropositado, não encaixava, mas agora não sei dizer no que é que não encaixava. Esqueci-me. Do que sonhei antes, do que sonhei depois. Varreu-se da minha memória e eu sei que ainda lá estava quando eu acordei. Eu lembrava tudo. Agora só me recordo do que jamais poderia esquecer. E não obstante a curiosidade mórbida pelo resto, prefiro não perder muito tempo a pensar nisso. Foi um sonho que, como tantos outros, se perdeu. E no entanto, teve um quê de diferente. Porque houve aquele momento, o que ficou e ficará, por muito tempo - e muito podem ser anos, porque comigo, quando a memória de um sonho superar a barreiras das vinte e quatro horas de um dia, ela permanece semanas, e meses, e anos.
Eu sonhei com o meu avô. Pela primeira vez desde que ele morreu, há um mês e meio atrás, eu sonhei como ele. Não posso dizer se foi a primeira vez na minha vida, pois não recordo outras, mas arriscar-me-ia a dizer que não - mas isso também não importa. Eu tinha entrado na cozinha da minha avó, e desde logo eu sabia que não era bem ali que eu devia estar. Contudo, havia algo mais errado que eu. Sentado à mesa no seu eterno lugar, estava o meu avô. Eu soube que não podia ser, tinha a consciência de que ele não podia estar ali. Julgo que falei primeiro com a minha avó, não tenho bem a certeza. Depois falei com ele - e ele falou comigo. Eu quis acreditar, eu aceitei que era real porque não podia fazer outra coisa. Era o que eu desejava. Não recordo ao certo a conversa, mas lembro-me que, antes do cenário mudar, ele disse uma última coisa que me ficou na cabeça. Algo como uma indirecta acerca de ser eu quem estava a falar sozinha.
Quando acordei, eu não conseguia pensar noutra coisa. Fora como uma alucinação dizer-te que estás a alucinar. A minha consciência falando através da sua voz para me dizer que não era real. De qualquer forma, não foi isso que me marcou, mas a perfeição e exactidão com que eu pude recordar os traços do seu rosto. A certeza de que aquele lugar na mesa da cozinha será sempre dele. O bom que é saber que eu não esqueci nada
Não estou a chorar. Apraz-me dizer que escrevi isto sem chorar. Mas sinto as lágrimas a ameaçar. No fundo, eu só queria deixar um marco no primeiro dia em que eu sonhei com ele.
Continuarás sempre aqui <3>

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Humano, com certeza, Estúpido, de certeza

Hoje tive um sonho daqueles. Daqueles em que acordamos e pensamos de onde raio é que fui buscar isto. Para dizer a verdade, pouco tinha de sonho, perturbou-me, mas esteve longe de ser um pesadelo - eu não me deixo impressionar tão facilmente. Mas foi estranho. Foi humano, completamente humano: violento e estúpido, realmente estúpido.
Deixando de partes pormenores - quem era quem, quem era eu, o que fazia -, vou tentar dizê-lo da forma mais simples - e lá se vai a consideração que têm por mim, inconsciente pelo menos. Eu sonhei com pessoas. Pessoas sentadas num largo, em cadeiras; pessoas. E pessoas que se divertiam atirando pedras umas às outras. (Já o disse, internem-me!) Sei que houve mais para trás disto, mas não me lembro. Sei também que não era apenas uma brincadeira infantil. Haviam os brancos, com roupa arranjadas e sentados, e os pretos. Racismo? Não da minha parte pelo menos. Lembro-me inclusive de uma mesa cheia de cascas de ovos, apesar de não ter visto nenhum vooar. Eu sei que é realmente estúpido. Eu não sou violenta. Eu não sou racista. (Sou branca, e daí? Não lhes fiz nada!) Parecia mesmo que eles, os de cor, se estavam a divertir com a brincadeira. Eu achei desumano e muito, muito idiota!
Porque é que não tenho um sonho normal, uma vez na vida? Oh, pois, eu sei porquê. Porque a minha consciência não funciona de forma normal.

sábado, 11 de julho de 2009

Amizades

Eu pergunto-me se foi um aviso. O inconsciente gritando: tu precisas disto, faz alguma coisa! Ou se foi uma memória, um pedaço de passando pintado com outras cores. Para todos os efeitos, foi somente um sonho. Banal, vulgar, que me fez sentir extraordinariamente bem, mas um sonho. Esse pedaço de vida normal que já não vivo.
Foi tão simples como isto: shopping com amigas. Nada de estranho, nada de surreal. Foi como um reencontro. Primeiro eu ia sozinha, depois cruzei-me com dois. Segui com uma delas. Não me lembro bem o que aconteceu depois, mas dei por mim perdida. Até o centro comercial parecia diferente daquele em que eu deveria estar. Mas depois elas encontraram-me. Todas elas… E eu senti-me bem. Não havia nada de estranho, nada de invulgar, nenhuma falta de à vontade ou sentimento de estar a mais. Eu estava realmente bem com elas. Como antes…
Talvez devesse telefonar-lhes, marcar qualquer coisa. Mas continuo esperando que aconteça o contrário, talvez para ver até onde isto vai. Para olhar de frente a verdade – não sou assim tão importante – e novamente a ignorar como faço sempre, dando desculpas – trabalho, com certeza (ou não) – e então juntar mais um pedaço de carvão ao motim que um dia explodirá no meu coração. É tão irónico que, para além da amizade de sempre, uma outra tão improvável surja para substituir essas com que há anos vivo, e que talvez por isso estejam morrendo. De longe o que de mais improvável aconteceu na minha vida desde que me lembro: tu, prima.
Obrigada do fundo do coração. Contigo posso deitar fora a máscara, dizer os maiores disparates e rir à gargalhada até às cinco da manhã. És uma louca incurável, mas eu gosto de ti assim! =)


quarta-feira, 24 de junho de 2009

Consciência de Sonho

Hoje tive um sonho estranho. Ao acordar lembrava-me de quase tudo, mas agora as imagens desfizeram-se na minha mente como cinzas ao vento. No entanto, a ideia ficou cá. A certeza e a dúvida; a desilusão que roçava as lágrimas; o nó na garganta por perceber aquilo que andava a tentar ignorar, não para enganar os outros, mas a mim própria. Uma verdade, ou melhor, uma realidade que, para não fugir à regra, não era tão brilhantemente colorida como a pintamos – como a pintava. E de afirmá-lo a pé fincado, eu dei comigo deambulando por sei lá onde, admitindo para comigo que era mentira, que era tudo mentira. E, se a memória não me trai, eu afirmei-o em voz alta, para quem quer que fosse que me estivesse a ouvir. Julgo que havia a consciência para lá do sonho que me fez arrepiar com a certeza daquelas palavras, cujas letras não me lembro, mas cuja essência guardo.
O sonho era sobre uma menina-mulher – eu – que abria os olhos para uma realidade mais cruel do que aquela que queria ver: ela não tinha o pai que desejava. Ele era bom, mas não tão presente, não tão atencioso, não tão compreensivo, como ela se iludia. E a consciência dessa imperfeição soterrou-a tão subitamente que ela se viu sob a ameaça de lágrimas.
Eu era essa menina-mulher, não apenas porque era eu fisicamente, mas porque sentia o mesmo que ela, fora dessa realidade fantasiosa que era o sonho. Apenas que aqui e agora tenho uma consciência diferente, que não chora mas que aceita, talvez porque já não seja tão menina e já não sinta – ou julga sentir – falta dessa parte de amor paternal, que existe, claro que existe, e sempre existiu, só que, por vezes, não é demonstrado da melhor forma – e às vezes, essas vezes que deixam o coração apertado mesmo que não nos demos conta, não é demonstrado de todo. Mas, claro, ninguém é perfeito. É só que, ao contrário do que muitas pessoas pensam, nos sonhos nem tudo é mais bonito e fantasioso. Por vezes, é até mais cruel e real.