É este silêncio, esta solidão.
O eco da letra da música no meu coração.
São as dores físicas de não te ter aqui.
É a falta de força de vontade, o tédio.
O desconforto dentro da minha própria pele.
São as equações erradas na fórmula da vida.
E cada momento que passa sem uma resposta tua.
É incompatibilidade da proximidade.
Os quilómetros que levam a um porto seguro.
São os lençóis frio que me abraçam à noite.
A contagem decrescente que nunca acaba.
É a ansiedade que me corrói o corpo.
E os meus olhos cansados de não te verem.
É uma fraqueza que trai os desejos mais antigos.
Uma necessidade vital que chama por ti.
É uma história incompleta que me assombra.
São vidas pela metade que esperam.
É o relógio que anda muito devagar.
A distância que me impede de correr até ti.
São as linhas cruzadas de outros caminhos.
O dever de filha, de neta, de irmã.
Mas é um lar que já não acolhe tão bem.
É uma cama que não cheira a ti.
É uma almofada que não partilho contigo.
E é a saudade que me aperta o peito.
A doença que me consome a alma.
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terça-feira, 31 de janeiro de 2012
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
negligência
não consigo descrever
a sensação de abandono interior
a miséria da alma
a epidemia do medo
e o fruto do erro.
não consigo consolar-me
ver o sol depois da tempestade
o amor depois do ódio
e nós depois de tu e eu.
não consigo perdoar-me
superar o terrível engano
só preciso de abraçar-te
e adormecer.
só preciso de ti.
a sensação de abandono interior
a miséria da alma
a epidemia do medo
e o fruto do erro.
não consigo consolar-me
ver o sol depois da tempestade
o amor depois do ódio
e nós depois de tu e eu.
não consigo perdoar-me
superar o terrível engano
só preciso de abraçar-te
e adormecer.
só preciso de ti.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Lament
Cry not, my baby.
Cry.
I know a frog ate a white moth.
The frog did not cry.
That's why he's a frog.
The moth did not cry.
Now moth is not.
My baby, cry not. Cry. There is much to do.
I will cry too.
I will cry for you.
Cry.
I know a frog ate a white moth.
The frog did not cry.
That's why he's a frog.
The moth did not cry.
Now moth is not.
My baby, cry not. Cry. There is much to do.
I will cry too.
I will cry for you.
Stan Rice, Some Lamb 1975
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Mar
quinta-feira, 30 de junho de 2011
A message to Life
Não me pregues sustos, Vida, não me pregues sustos.
Não me tentes com o que não posso ter, não queiras violar a minha moral.
Não me faças arrepender, não me faças chorar.
Não deixes que a minha consciência fique pesada, não permitas que o mesmo pensamento se repita vez após vez como um disco riscado.
Não me permitas acumular erros como quem colecciona moedas, velhas e passadas de mão em mão, gastas, gastas como as asneiras que insistimos em cometer.
Não maltrates o meu coração, Vida, não o maltrates, por favor.
Não me obrigues a percorrer acordada as longas horas da noite e não me tragas pesadelos.
Não destruas os meus sonhos, não quebres as minhas ilusões, Vida, não mates o meu amor.
Não mates o meu amor.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Viagem
Procuro um pouco de espaço
Cada superfície da minha vida está coberta
Os pequenos nadas acumulam-se em redor
Singulares objectos de necessidade humana
Peso irreal contrapondo-se às reais dimensões
Nada ocupa o espaço que deveria
E preciso de tudo nesta conjuntura banal
O futuro é adivinhação certa de gente incerta
Mas a lógica combate a imprevisibilidade
E a humanidade é mais feliz assim.
Olho em volta e sinto-me pequena
Somente com dois braços para carregar uma vida
E estas costas que se vergam sob o peso do passado
As roupas que embrulham o pecado da nossa alma
Livros que contam sonhos a enganados sonhadores
Água, papel e sabão, para reinventar a história
Sem erros desta vez, que a experiência dói
E as ligaduras ficam mal na fotografia.
Encontro um pouco de espaço
Na mala de um viajante cabe sempre a saudade
E a memória cálida da promessa de um regresso
Brevemente longínquo, que o mundo é grande
E a ansiedade por um pouco mais de novidade
Reverbera excitada na ébria vontade de partir
Que sempre vence a sóbria vontade de ficar
Não fosse este o início de outra viagem.
Cada superfície da minha vida está coberta
Os pequenos nadas acumulam-se em redor
Singulares objectos de necessidade humana
Peso irreal contrapondo-se às reais dimensões
Nada ocupa o espaço que deveria
E preciso de tudo nesta conjuntura banal
O futuro é adivinhação certa de gente incerta
Mas a lógica combate a imprevisibilidade
E a humanidade é mais feliz assim.
Olho em volta e sinto-me pequena
Somente com dois braços para carregar uma vida
E estas costas que se vergam sob o peso do passado
As roupas que embrulham o pecado da nossa alma
Livros que contam sonhos a enganados sonhadores
Água, papel e sabão, para reinventar a história
Sem erros desta vez, que a experiência dói
E as ligaduras ficam mal na fotografia.
Encontro um pouco de espaço
Na mala de um viajante cabe sempre a saudade
E a memória cálida da promessa de um regresso
Brevemente longínquo, que o mundo é grande
E a ansiedade por um pouco mais de novidade
Reverbera excitada na ébria vontade de partir
Que sempre vence a sóbria vontade de ficar
Não fosse este o início de outra viagem.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Hoje apetece-me
Apetece-me escrever disparates.
Apetece-me dar-te um beijo.
Hello? Está ai alguém? Estou à espera.
Apetece-me sorrir. Sorrio. Ainda apetece.
Apetece-me abraçar-te.
Vou ter tantas saudades tuas!!!
Apetece-me dizer que gosto de ti.
Apetece-me gostar ainda mais de ti.
Ah, estou muito quente. Não é febre.
É paixão!
Calma, estava a brincar.
Apetece-me escrever. Não sei o quê.
Apetece apetecer. O quê?
Apetece-me cantar. É melhor não.
Apetece-me saltar no tempo. Para quando?
Sei lá, sei lá.
Apetece-me andar de comboio.
Apetece-me ver-te outra vez antes de ir.
Apetecem-me despedidas.
Não, apetecem-me "até um dia".
Mas não tu. A ti levava-te comigo.
Apetece-me levar-te comigo.
Pronto, já não me apetece sorrir.
Quero levar-te comigo! Quero!!!
Apetece-me dobrar-te bem dobradinho/a
E guardar-te dentro da minha mala.
Apetece-me ser de novo, ser diferente.
Apetece-me conhecer de novo.
Apetece-me ficar deslumbrada.
Apetece-me apaixonar-me.
Apetece-me viver.
Apetece-me...
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
All Around Us
No escuro tu vês — o que a luz do dia cega
Um infinito de nada com aspiração a entrar na categoria de tudo
Lá de baixo tu vês — o que parece insignificante de cima
Mas a realidade é ela mesmo insignificante
O bom e brilhante raramente passa de uma ilusão montada para nosso engano
Cá de baixo nós vemos — e não importa que não gostemos do que vemos
O desespero é combustível que acende a revolta trancada em corpos
E as colunas de fumo ascendem no ar porque, depois de tudo, só destruímos
O meio mais rápido de acabar com a dor é matá-la na origem — nós próprios
E se as nossas vozes alcançassem a intensidade dos gritos das nossas almas...
Como música batendo fortemente nos tímpanos — expressão
Mais que lágrimas que secam na pele — perpetuação do sentimento
E as cores derramam-se pelas paredes no quebrar da visão — e do mundo
No escuro tu vês — o que a luz do dia cega
Porque sentes — mais do que vês — que não estás só na solidão
Solitário vagabundos, todos nós, somente a procurar uma melhor voz para gritar
No fundo todos iguais — não importa a perda, a ferida, a tragédia, a assombração
Todo membros do clube dos condenados
E no escuro, não nos conhecemos — não nos vemos
Mas sentimos — All Around Us
Ao som de: Flyleaf - All Around Me
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Wish Upon a Night
Triste de ti que não sabes o que queres. Pobre de mim que sei.
Andamos nesta dança de palavras noite adentro.
Promessas cheias de coisa nenhuma senão vontades.
Desejo ignóbil de viver e partir. Ler a carta, amar e rasgá-la.
Confusão de corações e corpos que não se entendem.
Anos que não avançam e não retrocedem. É assim. É agora.
Podíamos continuar a desejar que fosse de outra maneira.
Se há algo que esta nossa vontade não muda é o tempo.
Sei que querias ler estas palavras. Não o farás.
Digo-te tudo de alma, mas não lerás a minha alma.
Ela só é um livro aberto para quem não a pode tocar.
Ou para quem lhe tocou e a tem nas mãos. Tu não, não ainda.
Talvez nunca, não sei. Digo e repito que não sei o amanhã.
Queres que prometa que não me vou apaixonar.
Esse medo, esse teu medo de me magoar... Enternece-me.
Nada será como gostarias que fosse. Eu não sei como gostaria.
Consigo gostar do aqui e agora. Gosta do aqui e agora comigo.
Deixemos o futuro para o futuro, os planos ao acaso.
Vamos viver as horas que a vida nos deu. Com a alma.
Fale ela com o corpo ou com o coração. Não importa.
Queria-te aqui...
terça-feira, 15 de junho de 2010
O Testemunho do Navegador
Chama-me com alma de navegador abandonado. Meditaremos sobre o mundo.
# Quantas sereias vistes?
# Tantas e tantas que não as pude contar. Vozes de fada, rostos de anjo, mas asas? Como as dos demónios. Cores e brilho sobre o que era negro de alma. Ambição nas mãos douradas. Cobiça no sorriso de rubi. Inveja nos olhos esmeralda. Vaidade nos olhos azuis. Promessas de riqueza e prazer, um engano. Desejo de mais valer, mundano. Não são sonho e ilusão, nem alegoria de paixão, mas guerra, ódio e desilusão. Hoje, donas da terra sobre o mar, abre os olhos que as vais encontrar.
# E mostrengos de arrepiar?
# O medo, o medo, não está nos cabos e nas costas, no vazio do alto mar. Está nas almas bem postas, que não se irão aventurar. Tempestades e tormentas, não são o que temem os homens. Mas o obscuro incerto do mar fundo, que os carregará para o outro mundo. É o desconhecido o monstro, é o não saber que sabe, e decide não saber. É a incerteza que basta, só para nos fazer tremer. E na hora gasta, caímos aqui. Não lutámos, não vencemos. Sobrevivemos e tememos. Morremos, e não sabemos.
# E que mar a desbravar?
# O da consciência humana. Em barcos de luz sobre canais de águas cinzentas. Avancemos, avancemos... Iça a vela! Reflictamos.
domingo, 6 de junho de 2010
Quando somos lipstick e pó-de-arroz
Às vezes não somos mais do que flores bonitas ao Sol. Tentação para mãos agarrarem.
Perfume que é engano d'alma.
Na verdade, não passamos de um par de sapatos à beira da estrada.
Memória de fracasso e abandono.
Às vezes os espelhos são miragem.
Fotografias de brilho e gloss e ilusão.
Mentira descarada na cara de quem não tem olhos para ver.
E todos somos cegos de vez em quando.
Depende de quanto dói a realidade.
Às vezes queremos ser adultos por uma vez.
Quando agimos como crianças outra vez.
Abraçamos aparências que caem bem no ego.
Dizemos disparates achando-nos a pessoa mais inteligente.
Trocamos as voltas ao que é importante e erramos.
Às vezes suspiramos por outra pele.
Estando sempre de olhos no protótipo impossível de perfeição.
Porém odiamos com força os que dele se aproximam.
Cometemos as asneiras que criticamos.
E ainda assim nos achamos reis e rainhas do mundo.
Às vezes, tudo o que somos é lipstick e pó-de-arroz.
E no final descobrimos que 90% da beleza das pessoas sai com água.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Fé
O dia cai e arrefece. Sabe bem.
As horas longas declinam. Vencemos outro dia.
O espelho devolve-me esse mesmo olhar fixo.
Sei o que esperar de amanhã. Em parte. Só em parte.
A vida sabe muito melhor quando acontece de improviso.
Mas para toda a regra há a excepção. Não esqueçamos.
Esta história é diferente de todas as outras.
Na verdade, só existem histórias iguais no papel.
Um dia vamos aprender que tudo conta uma história.
E que nenhuma história tem um final. Nem as de papel.
O mar vem e limpa as pegadas dos nossos pés na areia,
Mas eles seguem sempre adiante, de olhos do futuro.
Por onde andámos não nos diz para onde vamos.
E depois do dia que cai, um novo se levanta.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Cetim em copos de plástico. Às 21:12
As horas chegam. Moles. Os dias passam. Enfadonhos. As conversas morrem. Lentamente.
Tudo está mal quando não acaba. Tudo está bem quando adiamos o final. Vamos marcá-lo no calendário. Sublinhá-lo com marcador amarelo.
O vestido está pendurado na porta. Os olhos passam e param. A noite é memória de cetim e copos de plástico. Não queremos vidro no chão. Poupem as agoniadas de tacões nas mãos.
A música toca suave. Não muda. O disco vira e revira, sempre igual. Sempre mundano. Ninguém se dá ao trabalho de o mudar. Ou de ouvir com atenção.
A febre é elevada. Não há quem nomeia a doença. Importa mais o milagre que a ciência. Mas há-de a fé cravar uma estaca de madeira do peito. Cruz de prata em sangue. Contas de terço no chão.
Lado a lado, santos e bêbedos. Ninguém vê a diferença. Ambos deliram. Ambos dizem o que julgam ser verdade. Ambos são ícones, exemplos. E sãos são ainda os loucos.
E amanhã os crentes dormem. Não há princípios de trabalho que os rejam. Não há vontade que os arranque do pecado da preguiça. Coitados, fazem o que podem. Só não podem mais porque não o fazem.
A história é a mesma para todas as gerações. A Bela e o Monstro. O Lobo e o Capuchinho Vermelho. A Bela Adormecida, cega e ignorante. O estereotipo de princípe que arruinou casamentos. O estereotipo de bruxa que criou casamentos. A mentira do viveram felizes para sempre.
Mas vai haver um baile. Vão haver vestidos de baile. Vai haver música de baile, nem que sejam breves minutos. Há o sonho do baile.
Como tudo na vida, outro sonho. Ao cair da noite, serão copos de plástico e cetim no chão. Tacões nas mãos. E gente alegre porque é bêbeda e santa.
domingo, 9 de maio de 2010
Encanto da meia-noite
Há qualquer coisa na noite. No silêncio da casa adormecida, no conhecimento de que todos estão presentes e ninguém saberá. Algo como a segurança de se estar em família e, simultaneamente, se estar sozinho.
Há qualquer coisa em caminhar descalça pelo corredor escuro, atenta a todos os ruídos, como se temêssemos ser surpreendidos. Algo de instintivo em manter as portas sempre encostadas, em olhar por cima do ombro. Adrenalina inconsciente. Medo infantil.
Há qualquer na música que toca sozinha no único quarto desperto, resistindo à ordem que emudece a casa. Qualquer coisa nas teclas rápidas que ninguém ouve, palavras que ninguém sabe que foram escritas àquela hora.
Há qualquer coisa em ser a mão que apaga a última luz. Em não haver voz alguma, ruído algum a perturbar a lenta descida para a inconsciência. Em ter a promessa de segredo das paredes, pacto mudo de confidencialidade.
Há qualquer coisa de tranquilo, de pacífico, de belo, de mágico. Há qualquer coisa de eterno e imutável. Há qualquer coisa de meu.
Qualquer coisa na noite...
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Pergunta
Pergunta-me.
Dá-me um beijo e diz-me adeus. Até um dia.
Até sempre, eu respondo.
Agarra-me com força. Não me deixes ser essa pessoa. Não me deixes partir com certezas.
Sem certezas é mais fácil voltar.
Sabes se sou uma pessoa segura? Eu não...
Confronta-me. Pergunta-me.
E amanhã?
Mesmo que não tenha a resposta, eu sei-a. Obriga-me a dizer a verdade.
Não aceites, nunca aceites, um não sei, um depois.
Eu sei sempre, mesmo quando não sei. Mesmo quando finjo que não sei.
Há sempre portas abertas na minha vida. Até quando volto costas, eu não as fecho. Tens apenas de correr um pouco mais.
Corre. Corre para mim. Não me deixes fugir. Eu fujo demasiado.
Tira os livros das minhas mãos. Faz-me olhar-te nos olhos.
Nos olhos da realidade.
Pergunta-me.
Quem sou eu? E quem és tu, sim, quem és tu?
Alguém, não importa quem.
Segura as minhas mãos e rasga o meu mundo de papel. Sê verdadeiro.
E de verdade não me deixes ir sem perguntares.
Lê tudo, tudo o que eu escrevi. Conhece-me neles, eu pura, nesses.
Depois diz-me o que é mentira, real e ficção.
Mais tarde ou mais cedo, deixa-me ir.
Não venhas atrás de mim, não, não venhas atrás de mim. Segue-me à distância.
À distância a que eu dia vai chegar o meu nome. Em sonhos, em último caso, em sonhos...
Pergunta-me. Mas pergunta-me mesmo.
Vai ser sempre assim?
Outra vez.
Vai ser sempre assim?
E eu, do fundo do coração, respondo:
Sim.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Ouvir-me
E um dia vamos ser nós dois a discutir filosofia...
Por voltas e mais voltas, acabamos sempre no mesmo lugar, e não sabes quem estás a enganar, a vida é o momento, e o momento está a passar. De olhos fechados, sentes-te no mar, e quem te embala não é o silêncio, o silêncio vem para acabar.
E são as palavras os alicerces, as perguntas a racionalidade, e não vês a monotonia de contar a monotonia, e és dilema e és indecisa, querer e não querer, chorar por ter, e por não ter. Eterna insatisfação, e para quem não escrevia poesia, bem vai aquele dia, e agora a rima entra e tudo vai, o sonho flui e o pensamento cai.
Talvez não saiba o que dizer, como o dizer, para que o dizer. Talvez seja eu um eufemismo, e viva "eufesmismando" tudo o que me rodeia, até que solta-se o pano e quebra-se o cristal, e sou louca, sou irracional, e maldita veia poética, que se lembrou de acordar, faz de tudo uma brincadeira, mera gente a voar, nada senão nada, e fugidios pontos finais.
Porque precisava de conversar, não comigo, não mais comigo, mas nessa imaginação alimento a ausência, alguém que ouça com paciência, e perceba, enfim perceba. Alguém que saiba ver, com os olhos da realidade, e não cegue de sonhos, porque os sonhos não devem cegar, devem guiar, e há que ter esperança, sem perder a racionalidade, ou perde-se a humanidade.
E um dia vamos ser nós dois a discutir filosofia...
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Não Sei
Não Sei
Não Sei onde estou
Não Sei por onde vou
Nem sei para onde vou
Não Sei se faço bem
Não Sei se Te faço bem
Não Sei se sei fazer bem
Um dia, peço
'Cause you'll look back
Não Sei onde estou
Não Sei por onde vou
Nem sei para onde vou
Não Sei se faço bem
Não Sei se Te faço bem
Não Sei se sei fazer bem
Um dia, peço
Don't Look Back In Anger
'Cause you'll look back
domingo, 3 de janeiro de 2010
Monólogo de quem escreve para quem lê
Sei que sabes que há muito para contar
Sei que os dias passam e sobra tanto para dizer
Ou repetir-te o que foi dito
Sei que se perdem muitas palavras
Mas mesmo sem dormir, não as poderia guardar
Não a todas
Não as que me fogem a cada instante
Sei buscá-las nos confins da minha mente
Mas às rebeldes não chegam correntes
Vem o vazio da não-inspiração
Ideias caídas no buraco sem fim da memória
Não há linha comprida o suficiente para pescá-las
Qualquer coisa para dizer
Não dizes o que deverias no momento que deverias
Não o dizes a quem deverias
Esperas que venham ler, mas sabes que essa pessoa não vai
Senão não o escreverias
Poderíamos estar a falar de preguiça?
Mas o mal aqui é outro
Perdi-me...
Não vou olhar para trás para me encontrar
Dizia que há muito que não escrevia poemas
Isto não é um poema
Até os poemas têm sentido, mesmo que não o vejamos
Isto não tem sentido
São os pensamentos que não quis deixar fugir
E não há lógica nos pensamentos
Sempre quisera, desde pequena, ter um gravador de pensamentos
Sempre, sempre, sempre
Já viram o que seria?
Já pensaram no que se perde?
Não podemos andar sempre com um computador atrás
A cada segundo da nossa vida
Sim, um desperdício
E as palavras que ficam são estas
Meras gotas num mar sem fim, que corre livre
Que muda a cada instante, que muda quando o imortalizamos
Que muda quando pensamos em imortalizá-lo
Sim, estes são os pensamentos que ficam
Mais sólidos que os outros, talvez tão confusos como estes
O nada de um todo, que é escrito, é lido
É repetido
Mas com o tempo continua a não ser nada
Somente uma palavra de um livro inteiro que ninguém abriu
sábado, 21 de novembro de 2009
Déjà Vu
Encontrei-me aqui
A olhar para ti
O mundo inteiro ao redor
Mais uma na multidão
Pensava não fazer falta
Mais um grão de areia
Uma gota no mar
Eram lágrimas suspeitas
As que queriam cair
Era uma história desfeita
E contada outra vez
Não era presente
Mas passado, o meu
Não era naquele lugar
Mas noutra igual
Não eras tu
Mas eu. Eu
Era outro alguém
E não olhava para ti
Nem sequer para aqueles
No lugar de mim
Os olhos vidrados
A consciência quebrada
No fim da parada
E foi assim outra vez
Tão certo que doeu
Como lembrava que doía
Essa memória rebobinada
Não importe o que mude
Hoje, novamente
Aquele dia, antes meu
Agora teu
Porque no final
É sempre igual
A olhar para ti
O mundo inteiro ao redor
Mais uma na multidão
Pensava não fazer falta
Mais um grão de areia
Uma gota no mar
Eram lágrimas suspeitas
As que queriam cair
Era uma história desfeita
E contada outra vez
Não era presente
Mas passado, o meu
Não era naquele lugar
Mas noutra igual
Não eras tu
Mas eu. Eu
Era outro alguém
E não olhava para ti
Nem sequer para aqueles
No lugar de mim
Os olhos vidrados
A consciência quebrada
No fim da parada
E foi assim outra vez
Tão certo que doeu
Como lembrava que doía
Essa memória rebobinada
Não importe o que mude
Hoje, novamente
Aquele dia, antes meu
Agora teu
Porque no final
É sempre igual
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Não somos, estamos
Caminhamos de regresso a casa.
Somos pedras de calçada.
Olhamo-nos ao espelho.
Somos um reflexo.
Andamos de bicicleta.
Somos duas rodas em movimento.
Vamos às compras.
Somos sacos e roupas e futilidades.
Conversamos.
Somos vozes compreensíveis.
Sorrimos.
Somos pó de estrela.
Andamos de autocarro.
Somos corpos levados por alguém.
Choramos.
Somos água.
Respiramos.
Somos moléculas de ar.
Escrevemos um poema.
Somos apenas palavras.
Não somos o que somos.
Somos o momento
Em que estamos.
Somos pedras de calçada.
Olhamo-nos ao espelho.
Somos um reflexo.
Andamos de bicicleta.
Somos duas rodas em movimento.
Vamos às compras.
Somos sacos e roupas e futilidades.
Conversamos.
Somos vozes compreensíveis.
Sorrimos.
Somos pó de estrela.
Andamos de autocarro.
Somos corpos levados por alguém.
Choramos.
Somos água.
Respiramos.
Somos moléculas de ar.
Escrevemos um poema.
Somos apenas palavras.
Não somos o que somos.
Somos o momento
Em que estamos.
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