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terça-feira, 28 de agosto de 2012
terça-feira, 17 de julho de 2012
quinta-feira, 24 de maio de 2012
tudo no nada
A tua ausência faz o aborrecido da minha vida vir ao de cima. E enquanto espero por uma resposta que não vem, temo, recrimino-me, culpo-me, mas não há realmente volta a dar a esta necessidade de alguém.
Nunca fui tão alérgica à solidão.
Tenho saudades de casa. Enganaste-te, não passou. Vejo representações de famílias por todo o lado. Vejo inclusão, pertença, segurança, suporto em todo o lado. A nostalgia sufoca-me. A inveja arde. Sinto-me à beira da derrota. O tempo é um vazio imenso por preencher. Nada me chama, nada me quer. Às vezes penso que desisti completamente de escrever.
Não sei o que fazer aqui, noite após noite, na tua ausência. Assusta-me. Eu não era assim. E de alguma forma, não posso afirmar que algo tenha mudado para melhor. Ainda sinto dentro de mim aquela adolescente insegura que só queria um forte grupo de amigos no qual se sentisse em casa. Nunca existiu. Mesmo quando quis acreditar que sim, era tudo uma grande ilusão. Nunca soube de quem era a culpa. Os laços simplesmente desmoronaram, soprados como areia ao primeiro erro, quando era suposto ser uma amizade forte como pedra.
Não sei dizer se fui desiludida mais do que fui uma desilusão. E quando os avisos começam a cair, são como cartões amarelos num jogo de futebol. O segundo já é vermelho. E eu não posso aguentar isto de novo. Exclusão. Não quando pensava fazer tudo certo, o melhor que podia. Nunca é suficiente. Não sou suficiente. Não sou nada para dizer a verdade. Mas não posso viver como se cada gesto meu fosse vir a ser julgado. Melhor sozinha que só, então.
Era mais feliz quando pensava que podia viver assim, sozinha. Mas tudo o que eu quero depois de um mês e meio sem ir a casa é a minha família. As únicas pessoas do mundo que eu sei que não se vão zangar comigo se eu falar demasiado alto ou se me esquecer de limpar a mesa. Que não vão criticar o que eu sou ou quem eu sou porque essa é a pessoa que conheceram desde sempre e não acham que haja nada de errado com ela.
Foi tão difícil este ano. Apanhar os cacos do ano anterior. Perceber que não havia reconstrução possível para isso. Lamentar. Chorar. Desistir. Seguir em frente derrotada.
terça-feira, 6 de março de 2012
Extrapolação da alma
Quando me beijas, os teus olhos trazem a memória do dia em que morremos.
Na chama deste lirismo apagado, jaz o desejo de esbofetear o desprezo a que me relegas todas as noites. Torturas-me lentamente, assim, inerte no teu canto, como se o meu sofrimento não te tocasse. Não fui eu quem te traiu quando decidiste provar o mundo. Jamais te menti, fiz minhas as tuas palavras, vivi os teus sonhos, caminhámos lado a lado durante anos, de mãos dadas, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. No silêncio, criávamos um mundo onde seriamos felizes para sempre.
E então a lua pôs-se sobre o teu coração, pegaste fogo às páginas do nosso romance e atiraste três vezes contra mim, desenhando no meu corpo umas monstruosas reticências às quais acrescentei um tenebroso ponto de interrogação. Mas como se não bastasse, não só te desapaixonaste, como reencontraste a nossa paixão noutros braços, uns que te agarram de verdade, e não com um suave sopro de imaginação. As minhas mãos fundidas nas tuas não poderão nunca rivalizar com essas mãos de carne e osso e vida que descem quentes pelo teu ventre, ou essa boca que se beija com uma intensidade que não poderei. Mataste as borboletas que eu largava no teu estômago e substituíste-as pela pulsação forte e urgente do desejo carnal.
Mas ainda te quero como uma esposa violentada pelo marido que não sabe viver sem ele. Porque sem ti sou mera imaginação incompleta, mais vazia e abandonada que um livro decadente esquecido numa biblioteca. E sei que me queres também, nessa tua culpa salgada que te atormenta a consciência sem todavia sentires qualquer arrependimento. Jamais voltarei a ser uma prioridade na tua vida. Não quando o mundo fora das quatro paredes do nosso quarto chama por ti com promessas de amor. E sempre que voltas, é amargo e estranho, como se já não soubesses viver comigo, como se não pudesses nem recuperar uma réstia da paixão que nos alimentou durante tanto tempo.
O mundo seguiu o caminho do tempo, e tu foste com ele. Partiste, trocaste-me, e já nada voltará a ser o mesmo. Agora trazes para a cama o sabor e as cores reais da vida.
E eu observo-te da prateleira com inveja, todas as noite, porque nunca fui capaz de te fazer feliz assim.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
2 paixões e 1 coração, vida sobre ficção
O ritmo é quente no meu sangue. O sorriso duradouro. Estas emoções, ah, estas emoções. São o álcool que nos embebeda até à depressão e as drogas que nos levam à euforia.
Umas horas, é tudo quanto basta.
E o amanhã, a certeza da sempre existência do amanhã. Aquela hora em que sabemos que acaba a nossa contagem decrescente. Breve, brevemente, como quem espera por mim.
Vem. Corre. Canta comigo. Esta alegria é o reverso da moeda da tristeza que vem assombrando estas noites. O silêncio, a solidão.
Acabou.
Quando o sorriso perdura nos meus lábios assim, tão suave e real, tão intenso que se estende a todo o corpo, custa crer a facilidade com que és capaz de me fazer chorar.
Não hoje.
Ah, música. Não sabes onde me levas. Jamais saberás onde me tens levado, entre o aqui e o ali, entre a realidade e o sonho, entre eu e um mundo de possibilidades. Ou, talvez seja a escrita.
Abandonada. Como sempre soube que irias ser. Conheço-te. Conheço-me. Só cabe uma paixão de cada vez no meu coração. Tu eras ficção, ilusão, imaginação. Eles eram subterfúgios. Ele é amor.
Ainda não sei lidar contigo na mera categoria de vocação, passatempo.
Passatempo. Palavra que tanto desvaloriza, banaliza, diminui.
Mas, mas... Dói. Escrever agora dói. E dói mais a consciência de não o fazer. Não é uma dor assim forte. É mais um esquecimento que se prolonga, uma negligência que mata lentamente, que prometemos mudar a tempo, mas... Mas p(r)onto.
Esta ditadura de tentativas não leva a lado nenhum.
E hoje não importa, ou a importância está fechadinha lá num cantinho onde não ataca a consciência. Onde não dói. A maior parte dos pecados vive num lugar assim. Os outros realmente matam.
Ah, ao tempo que não escrevias tanto assim.
Ao tempo que não o fazias feliz assim. A felicidade nunca foi literariamente produtiva. Desculpem personagens de papel. Vocês já tiveram os vosso final feliz, e as que não, de certo não morrem da espera. Eu sim.
Agora é a minha vez.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Preocupas-me, irmã.
Mesmo quando grito.
Mesmo quando critico.
Mesmo quando insisto que não é assim, que estás errada.
Talvez estejas mesmo.
Quando crescemos, temos a tendência a pensar que somos diferentes.
Ou confessamos que isso nos magoa.
Ou tentamos convencer-nos que gostamos disso.
Mais tarde descobrimos que metade das pessoas que conhecíamos pensava o mesmo de si.
Mesmo quando grito.
Mesmo quando critico.
Mesmo quando insisto que não é assim, que estás errada.
Talvez estejas mesmo.
Quando crescemos, temos a tendência a pensar que somos diferentes.
Ou confessamos que isso nos magoa.
Ou tentamos convencer-nos que gostamos disso.
Mais tarde descobrimos que metade das pessoas que conhecíamos pensava o mesmo de si.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Facto
Ah, o tempo sem ti como custa a passar!
Acho que nunca escrevi-disse-pensei "estou aborrecida" tantas vezes como nesta semana.
Segunda, vem depressa!
Fim.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
coisa da vida
Não tenho inspiração para devaneios, moralismos e eufemismos. Não sei onde estão as palavras bonitas, as frases profundas, as mensagens de vida. Ou a vida sequer.
As baladas enchem o quarto, como um sopro da saudade dilatada no meu peito. A ansiedade ronda a casa, envenenando o ar.
Tenho um desejo. Uma necessidade. E um amor.
Os fantasmas dos erros passados assombram a minha mente. És o meu ghostbuster e não estás aqui. Tenho medo de falhar.
E esta introspecção é extremamente não-saudável.
O amanhã é um grande, aborrecido e maldito déjà vu. Que tem de acabar de outra forma.
Ahhhhhhhh
Aprova-me, c******!
Depois disso, a minha vida volta a ser perfeita.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Horizont*
Sento-me aqui de novo, com as mesmas palavras que cercam e sufocam. Continuamos iguais, na distância e na proximidade, no amor e no ódio. A história escreve-se cada vez mais longe do presente, como uma memória gasta de tão revisitada, sempre com uma linha a mais de gratidão que agora se desfaz no chão que a proclamada injustiça pisou.
Talvez não tenha sido jamais pintada do branco imaculado que as rememorações crêem. Quem sabe se não se tratou tudo de uma ilusão. O coração gosta de acreditar que não, mas o certo, o presente deste minuto do relógio, é que ele está enroscado como um novelo, fechado sobre si, pequeno e insignificante, ignorado até à artéria mais distante deste complexo sistema de emoções e aspirações.
As articulações sofrem com o frio da solidão que o tempo, tão escasso, impõem como se tivesse sempre presente. O dia arrasta-se penosamente, mas os dedos não se movem nem concretizam. As metas desfazem-se no desleixe de uma vontade por realizar. Esta outra é maior e move o meu corpo cansado para os únicos braços que ainda o recebem com um sorriso. Os antigos prazeres da vida são agora difíceis de recuperar, atirados para o segundo plano de todas as coisas. Os olhos doem e nunca custou tanto acordar. A nostalgia vence.
A vida é melhor na horizontal.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Crise n.º29
O mais estúpido é aquele que comete os erros sabendo que são erros, porque não consegue fazer as coisas de outra forma, ou haverá alguma desculpa atenuante?
É daquelas coisas que a minha mãe sempre me disse. E daquelas que eu sempre disse "tens razão, mas isso não vai acontecer comigo" — até acontecer, e não ser capaz de o evitar.
Agir de outra forma. Porque é que há sempre alguém magoada que aponta o dedo e diz "tens de mudar isso" — isso, isto, aquilo — infernos, mandem-me de volta para a fábrica e mandem vir uma nova, porque não há como corrigir tantos defeitos.
E não há recompensa nenhuma por dizer a verdade — porque ela não devia ser assim, porque magoa, porque é injusta — mas é como sinto as coisas neste momento.
Desculpa.
É somente uma preferência, não uma escolha. Claro que não vêm isso. Claro que também não lêem isto. Mas já foi tudo falado, e repetido — e devidamente ignorado porque não me faço entender.
Ah, mãe, estou a fazê-lo. E já estou a perdê-las por causa disso. Mas ele...
Eu não sei o que estou a fazer.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
###
Por favor, não faças desde ano uma autêntica merda.
Raquel, não sejas preconceituosa.
Mas... AHHH! Porquê?
Melhor assim, melhor assim. Melhor assim uma merda.
Fizeste asneira, agora toma, aguentas. E vai piorar. Não há volta atrás. Vive com isso.
Shit!
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Confissão
Unicamente por ti.
Saudades? Da independência. Da liberdade. De ti. E das relações que estraguei.
Este ano é diferente. Não há aquela mudança drástica, completa. Mas o familiar que foi deixado para trás é uma casa em ruínas.
Tenho, sim, medo que o tecto me caia em cima. Tão simples quanto isso.
Nunca quis ser perfeita. Apenas um bocadinho menos imperfeita.
Uma vez mais, só quero saltar o primeiro mês de aulas.
sábado, 3 de setembro de 2011
Yatzy
O frio corta a inspiração como estimula o amor. Os dados estão lançados, façam-se as apostas. A multidão ergue os braços para a probabilidade do costume: tanto é melhor o começo, como pior o final, e grandes entradas são tão somente as mais profundas palavras que hão-de surgir esta noite. O resto é sempre a decrescer. A tese e a "palha", porque as grandes palavras explicam-se a si próprias.
Não há sorte ou azar na literatura. E a redundância é o pecado. O mesmo se aplica à vida. Quando a repetição é a morte do artista, sabemos que não pisamos um palco mas a realidade, onde o tempo não volta atrás e o passado se perde num futuro que não planeou.
Não aspirava a nenhuma destas frases, mas sabia que ia jogar com todas estas letras. Metáforas, metáforas! E a puta da vida sempre como plano de fundo. Tudo se assemelha a ti, como se fosses um maldito dicionário. Guardas tudo, representas tudo, tens tudo, mas, no final, se não percebermos a tua linguagem, não explicas rigorosamente nada.
É sempre interessante ver o rumo que um cérebro leva, escrito assim, como a radiografia da minha mente. E como uma árvore — não, chega de comparações! As figuras de estilo são algo negativo cujo mal duas palavras de amor me fizeram esquecer. E a inspiração oficialmente bloqueou, num desvario não literário que interrompeu crucialmente o caminho desta ilusão textual.
Os dados pararam na mesa. Mas os resultados são subjectivos: dependem da graduação das lentes de cada leitor. Uns podem não ver nada — muitos podem nada ver. Se alguém gritar Yatzy, façam-me saber.
É raro quando alguém encontra sentido em palavras que o perderam vinte segundos depois de serem escritas.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
dá-me um abraço
Abraça-me. Não chores, não rias. Abraça-me apenas.
Sabes aqueles dias em que tudo corre mal? Em que qualquer palavra soa a recriminação e ninguém parece satisfeito, andes direito ou de pernas para o ar?
Um abraço cura. Um abraço teu levava as lágrimas e devolvia o sorriso. Mesmo que fosse este sorriso molhado.
Há dias assim, em que caminhas vacilante na corda, sempre prestes a cair, a desfazeres-te e a condenares a vida e toda a existência. Depois passa. Passa sempre. É essa a maldição e a benção da vida.
Dá-me um abraço. Por tudo de bom e mau, vem aqui e dá-me um abraço.
Preciso de ti. Preciso tanto de ti...
Aqueles dias, aqueles infernais dias em que só se está bem só. É mentira. Estaria melhor contigo do que só. Nos teus braços, amor.
Abraça-me. Não perguntes porquê. Abraça-me apenas.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
terça-feira, 16 de agosto de 2011
sexta-feira, 15 de julho de 2011
STOP
Senta-te. Pára. 'Pára' à moda antiga, para distinguir bem as coisas. Não interessa o 'para', o 'para' é a finalidade última que quase ninguém conhece quando faz as coisas. Daí ser preciso parar. Portanto dá ênfase à necessidade e pára. Não importa porquê ou para quê.
Pára e pensa. Quantas vezes é que eu te contei esta história?
Ah, ainda não te disse qual. Bem, é a tua história. Ou a minha. Ou a dele.
Começou com alguém que se esquecia consecutivamente do acento no 'para'. Quando a finalidade grita muito alto e não surgem sinais vermelhos hexagonais de STOP na nossa vida, quando o destino se impõe com demasiada força e violamos o direito de passagem àqueles que se cruzam na nossa vida, o caos acontece e o acidente é inevitável. À primeira, raramente é fatal. Depois, os outros ganham medo. E da próxima os estragos tornam-se permanentes.
E o culpado?
Pára, senta-te e pensa. Quantas vezes contaste esta história?
Quantas vezes ultrapassaste os outros sem teres esse direito? E quantos atropelaste mesmo?
Quantas vezes te esqueceste de olhar para o lado? E quantas vezes excedeste a velocidade?
Eu, muitas. Demasiadas.
Mais do que me pude aperceber.
Mas, e tu?
Senta-te, pára e pensa.
Talvez o código não sejam ensinamentos de condução. Talvez seja uma lição de vida.
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