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quinta-feira, 12 de abril de 2012

um segundo

O teu silêncio entranha-se na minha pele e faz-me comichão. A tua escassez de palavras deixa-me a tremer. A incerteza deita-me a baixo. Segura-me, por favor.
O ritmo do meu coração baralha-se quando não estás, como uma bússola que procura o norte e não o encontra. Guia-me até ti. Chama por mim. Não te canses, oh, por favor, não digas que não.
Os meus ouvidos anseiam por palavras tuas - palavras doces, palavras sinceras - como um drogado em privação. Tenho saudades daquela palavra. As vezes, nem todos os gestos do mundo substituem aquele segundo em que o coração pára para reconhecer a razão porque continua a bater.
Céus, mal me lembro da última vez.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Ama-me três dias por semana 
e apaixona-te por mim nos restantes quatro.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012


YOU ARE MY SWEET LITTLE MIRACLE

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

enfermidade

É este silêncio, esta solidão. 
O eco da letra da música no meu coração. 
São as dores físicas de não te ter aqui.
É a falta de força de vontade, o tédio. 
O desconforto dentro da minha própria pele. 
São as equações erradas na fórmula da vida. 
E cada momento que passa sem uma resposta tua.
É incompatibilidade da proximidade.
Os quilómetros que levam a um porto seguro.
São os lençóis frio que me abraçam à noite.
A contagem decrescente que nunca acaba.
É a ansiedade que me corrói o corpo.
E os meus olhos cansados de não te verem.
É uma fraqueza que trai os desejos mais antigos.
Uma necessidade vital que chama por ti.
É uma história incompleta que me assombra.
São vidas pela metade que esperam.
É o relógio que anda muito devagar.
A distância que me impede de correr até ti.
São as linhas cruzadas de outros caminhos.
O dever de filha, de neta, de irmã.
Mas é um lar que já não acolhe tão bem.
É uma cama que não cheira a ti.
É uma almofada que não partilho contigo.
E é a saudade que me aperta o peito.
A doença que me consome a alma.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

♥

If you make it true
I'll make it perfect


quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

porque te abandonei, ficção

As saudades colam-se a ti. Palavras. A tristeza assoma-se, logo assim, tão rápido chamada, tão de repente na vertigem dos meus olhos. Perdi o trilho de pedra, as migalhas de uma história sem fim.
Não me encontro. Não encontro a vontade, não encontro o gosto em perder horas naquele mundo, não encontro o dom de fazer magia, não encontro a arte da criação. As palavras foram sugadas por um vórtice de nome realidade. O riso, o nada, o insignificante, o supérfluo gasto de horas sobrepôs-se àquele tempo. E a lista daqueles que foram deixados para trás cresce, entre sonho e vida real, com histórias suspensas, que não pesam o suficiente na minha preocupação para que me esforce a dar-lhe continuidade, a dar-lhes um final.
A desilusão acentua-se, corrói, magoa. Prioridades. No fundo tudo se resume a prioridades. E aquela fantasia, aquela romance de papel, aquele mundo paralelo, aquelas pessoas irreais não estão mais presentes, não são mais prioridade. Não me apaixonam mais, porque agora este coração tem um dono real, de carne e osso. E assim aquele sonho concretizou-se e o faz-de-conta morreu. Como sempre soube que aconteceria.
Não posso dar o meu coração a duas vidas ao mesmo tempo. Mesmo que uma delas seja de papel. E escrever sem ser com paixão... não resulta mais. Já divaguei, já filosofei, e agora a racionalização nua e crua. Como este diário, cada página tem sido prenúncio de algo errado. Quando o meu mundo está completo e eu estou feliz, não sinto qualquer desejo de escrever sobre isso. Quero vivê-lo. Como este amor. Pela primeira vez, não tenho de me limitar a escrevê-lo. Posso vivê-lo. Quero-o, mesmo que isso mate a romancista que há em mim.
Entristece-me, chama as lágrimas, aperta-me o coração, mas é verdade. Conciliar os dois mundos é um caminho árduo, sobretudo quando já perdi um deles. E sempre que tento, que dou um bocadinho de mim à fantasia, custa entrar, custa permanecer, porque a realidade chama agora muito, muito mais alto. E se neste momento importa, importa muito, na generalidade dos dias, na maioria das horas, não.
Então talvez entenda agora que não escrevia por vocação, mas somente porque necessitava de preencher a minha vida com algo que valesse a pena.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

"I wanna cut through my skin and pull you within"


So then you'll know
how much I loved you
how much you hurt me
how much you make me hate you
for tearing apart my world like this
you have no right
for such a small sin
you have no right


You make me wish to die and write. In this order.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

erro de alma

Vem, abraça-me, ajuda-me a respirar de novo.
Promete-me que vamos tentar mais uma vez.
Não precisas de me amar esta noite.
Apenas não desistas de mim.


Ninguém consegue ser melhor se não o fizer para alguém. Por mim. Para ti. Para elas.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Regra nº1

Tens de respeitar o tempo e o espaço.
Tens, sobretudo, de respeitar as ideias.


Mesmo que isso te mate por dentro.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Equilibrista

E outra vez a corda se agita, desce, escorrega. O chão aproxima-se rapidamente, à medida que o equilíbrio se esfuma como um beijo. Perdi a alegria desta manhã no momento em que o teu calor deixou o meu corpo.

O dia começa mal a partir do momento em que saio da cama. Não, quando o universo deixa de ter somente as nossas duas pessoas.
Sinto-me cansada. Exausta. Física e psicologicamente. Não quero sair de novo de casa. Não quero ter de caminhar até à universidade de novo. Não quero ver pessoas.
Dói-me a alma.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

dá-me um abraço

Abraça-me. Não chores, não rias. Abraça-me apenas.
Sabes aqueles dias em que tudo corre mal? Em que qualquer palavra soa a recriminação e ninguém parece satisfeito, andes direito ou de pernas para o ar?
Um abraço cura. Um abraço teu levava as lágrimas e devolvia o sorriso. Mesmo que fosse este sorriso molhado.
Há dias assim, em que caminhas vacilante na corda, sempre prestes a cair, a desfazeres-te e a condenares a vida e toda a existência. Depois passa. Passa sempre. É essa a maldição e a benção da vida.
Dá-me um abraço. Por tudo de bom e mau, vem aqui e dá-me um abraço.
Preciso de ti. Preciso tanto de ti...
Aqueles dias, aqueles infernais dias em que só se está bem só. É mentira. Estaria melhor contigo do que só. Nos teus braços, amor.
Abraça-me. Não perguntes porquê. Abraça-me apenas.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Mata-me novamente

COMO FANTASMAS, OS ERROS HÃO DE PERSEGUIR-NOS SEMPRE


Foda-se, vida. foda-se! Putas das palavras que te atraiçoam! E estas deduções de merda que acabam sempre mal! És estúpida, para a próxima aprendes a dizer as coisas com todas as palavrinhas do dicionário. 
Revoltas-te? Sim, mas também choras como uma menina, porque no fundo talvez seja isso que és. Talvez eles tenham razão, criança.
É a lembrança de todas as palavras, as 24h de lágrimas, o medo. Infernos, como é que tudo o que sentes é medo? E mágoa. E arrependimento. Tudo isto a pisar o amor, que grita, que chora, que implora para que o deixem viver feliz, e não estrangulado nesta garganta apertada.
Como é que eu posso estar contigo amanhã e fingir que não estive a chorar baba e ranho esta noite?
E é isto. Amo-te. Faria tudo por ti. E neste momento tenho medo de até onde este amor me vai levar.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Preenches-me,

A vida roda entre cheia e vazia, ao sabor da presença e da ausência, como uma moeda atirada ao ar, vítima da sorte. Mas a lógica é certeira e a única variável expressa-se em quilómetros.
É inegável como a saudade cresce proporcionalmente aos passos entre a minha porta e a tua.
Já preciso de novo desse sorriso, aquele intenso e adorável sorriso, que grita por gestos "estás aqui e fazes-me feliz". Não há tecnologias que o simulem.
Sinto que me pertences sempre mais quando estás nos meus braços. Quando a realidade é palpável, "estrangulável" até, no melhor dos sentidos.
Agora, a cama é maior e mais fria. As palavras perdem o teu sentido quando não tas oiço dizer. E o pouco que sobra basta, mas não é suficiente quando não estás aqui.
São demasiados passos entre a minha porta e a tua.
E se esta noite sorrio, é porque a tua memória ainda vibra fresca na minha pele. Mas ela já sente a tua falta.
Preenches-me, e desconfio que eu já não consigo viver sem ti.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Contigo

A vida vem e volta e desejo morder os meus próprios calcanhares para que siga unicamente em frente. Fantasmas no armário são como pregos no chão. E viver caminhando com demasiado cuidado significa não viver. Pensar como demasiado cuidado nas palavras significa trair as nossas ideias genuínas.
A verdade vem com o perigo do julgamento parcial, toldando pelas más memórias que colocam uns óculos escuros de desconfiança, impedido de vê-la crua e limpa. E a culpa instala-se onde não devia existir, o medo regressa, e aquela vontade errónea de ter permanecido em silêncio ronda como um pecado.
Mas o silêncio nunca altera a realidade. Apenas se apresenta como a medida preventiva — mas não é assim que se fazem as coisas. Não é assim que desejo fazer as coisas. Mas como conquistar a confiança de quem vê perigo numa flor?
A vida vem e volta e desejo morder os meus próprios calcanhares para que siga unicamente em frente. Para que não haja fantasmas sobre cada palavra, cada acto. Para que não haja medo em dizer que abracei uma flor.

Não temas. Não duvides.
Também sabes onde mora
o meu coração.

terça-feira, 26 de julho de 2011

encore

Don't give up on me
I won't give up on you

Não me deixes a contar as estrelas sozinha,
Não me deixes ouvir as minhas próprias histórias.
Rouba-me a almofada e abraça-te a mim.

Se for para me fazeres chorar, deixa que chore no teu ombro.

domingo, 24 de julho de 2011


Não faças perguntas.
Sabes perfeitamente onde mora o teu coração.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Um pedaço de vida

Um pedaço de ti.
Uma mão cheia de sonhos. Esperança.
Dá-me um beijo. Dá-me um abraço bem forte. Prometo-te que não peço mais.
És tudo o que quero.
E se esta luz se apagar, sabes que vou cair no erro adolescente de julgar o mundo perdido, mesmo depois de secar a fonte dos meus olhos.
O primeiro amor é o único que vive com a esperança de ser o único.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

500km

Quando a noite cair silenciosa neste incerto fim do mundo em que a minha alma se atolou sem ti, rasga-me a pele e vem pelo meu coração. Quero vê-lo vermelho e brilhante, palpitando com o meu último fôlego de vida, que sobrou em ti depois daquele beijo. Grita com paixão a tua presença se o meu corpo não pressentir a tua chegada, inerte numa espera velha e gasta, que envelhece e desgasta tudo menos a saudade.
Coloca o meu coração nos teus lábios e devolve-o à vida, deposita-o com cuidado no meu peito e fecha a ferida com amor. Ainda estou aqui para ti. Basta que me despertes deste solitário pesadelo onde me olho ao espelho e não te vejo a meu lado, acordo à noite e não estás lá, procuro-te e tudo, até a minha sombra, me parece só. Um devia ser um número proibido.
Dá-me a mão, puxa-me com força, até quebrar o abraço hostil da solidão. Deixa-me enterrar-me nos teus braços, fundir-me com o teu corpo. Vou algemar-te a mim.
E depois, suga-me as memórias negras da tua ausência e não me permitas jamais recordar o sabor salgado das lágrimas de despedida, nem o frio paralisante que se infiltra nos lençóis ásperos quando tu não estás. E aperta-me contra ti, até sentir a tua pulsação, murmura-me ao ouvido as nossas verdades incontornáveis sobre o amor.
Faz as últimas semanas desaparecerem. Volta depressa.

sábado, 21 de maio de 2011

Coleccionar memórias

Vai na volta e tropeças na rua com a vontade de viver.
Podia ser a grande abertura para a minha dissertação iluminada desta noite. Não. A luz neste quarto é artificial e o mais puro brilha singelo no escuro e não se vê mas sente-se.
Andamos a coleccionar memórias, para um dia em que a distância à vida, aquela que nos dá a mão na rua, nos agarra o rosto e nos beija suavemente, for demasiado grande, e a inconsciência dos sonhos seja mais solitária mesmo no já tão privado e íntimo que é sonhar. Andamos a coleccionar matéria de pensamento, álbuns de fotos, vídeo, tudo o que seja, com cor, som e cheiro, para depois revermos uma e outra vez, com um aperto no peito, quando a pressão sobre ele não é a do teu corpo. Andamos a tapar os buracos que a saudade vai abrir com promessas de amor e reencontro.
E são duas da manhã, a cama está desfeita, as luzes estão acesas, os computadores ligados. Andamos a trocar as voltas ao dia, às horas, às convenções.
Não importa. Ser jovem e apaixonado é ser rebelde, fazer tudo ao contrário e gostar de viver assim. Gosto de viver assim.
Um dia ia na rua e tropecei na vontade de viver. Sorri.
Eras tu.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

we never know

Não sabes como o meu sorriso permanece depois das tuas palavras. Não sabes o que fazes ao meu batimento cardíaco. Pergunto-me: o que foi isto?
A vida segue pregando-nos partidas, e de repente abrimos a nossa porta de casa e tudo mudou; olhamos para a aquela pessoa que vemos todos os dias e não vemos nada do que víamos antes; descobrimos que podemos ser mais íntimos com os nossos pais, que eles são mais tolerante, compreensivos, realmente mais amigos do que alguma vez pensávamos. Sim, continuamos a cair no engano de subestimar o mundo à nossa volta, temos medo dos braços que mais nos protegem, procuramos na distância aquilo que sempre esteve tão perto, sem todavia sabermos.
Deixa-me um sorriso nos lábios observar a ironia da vida. Imaginamos tanto o futuro, e de tão rebuscadas e improváveis que são as nossas ideias, a realidade consegue sê-lo ainda mais. Mas aí está a doçura de viver, aí estão as memórias que nos embalam à noite, quando tentamos recordar o que é dormir sozinho e acabamos sonhando com a outra pessoa.
Às vezes faço-o ao teu lado também. Não sabes como é estranho acordar ao lado da pessoa com que se sonhou. Pergunto-me: porquê só agora? Mas agradeço por ter sido agora e não depois.
Já tinha saudades de me sentir assim...