sexta-feira, 15 de julho de 2011

STOP

Senta-te. Pára. 'Pára' à moda antiga, para distinguir bem as coisas. Não interessa o 'para', o 'para' é a finalidade última que quase ninguém conhece quando faz as coisas. Daí ser preciso parar. Portanto dá ênfase à necessidade e pára. Não importa porquê ou para quê.
Pára e pensa. Quantas vezes é que eu te contei esta história?
Ah, ainda não te disse qual. Bem, é a tua história. Ou a minha. Ou a dele.
Começou com alguém que se esquecia consecutivamente do acento no 'para'. Quando a finalidade grita muito alto e não surgem sinais vermelhos hexagonais de STOP na nossa vida, quando o destino se impõe com demasiada força e violamos o direito de passagem àqueles que se cruzam na nossa vida, o caos acontece e o acidente é inevitável. À primeira, raramente é fatal. Depois, os outros ganham medo. E da próxima os estragos tornam-se permanentes.
E o culpado?
Pára, senta-te e pensa. Quantas vezes contaste esta história?
Quantas vezes ultrapassaste os outros sem teres esse direito? E quantos atropelaste mesmo?
Quantas vezes te esqueceste de olhar para o lado? E quantas vezes excedeste a velocidade?
Eu, muitas. Demasiadas.
Mais do que me pude aperceber.
Mas, e tu?

Senta-te, pára e pensa.
Talvez o código não sejam ensinamentos de condução. Talvez seja uma lição de vida.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Obrigada.
Agora já gosto mais de ti
...

Corpo,

Quando a preocupação nos tolda o olhar e nos revolve as entranhas, a vontade é de cuspir os coágulos de vida morta para os poupar da escolha entre sair e permanecer. E quando a incerteza se faz dona da nossa vida, queria poder exumar este meu corpo que me odeia por ter sido negligente com ele, e rasgar de vez com a tortura indolor e silenciosa que me destrói a sanidade.
Para o inferno com esta espera angustiante e inútil!
Neste momento, eu também te odeio.
Reformulation:

Thought: My body hates me

Request: Stop torturing me!

DAMN.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Thought: Shit!

Request: BE QUIETE, PLEASE

Thanks.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Keep It Together

"Even though we are miles apart tonight
I know we can make it right
So just give it a chance
And we can keep it together

And everytime I think of you
And after all that we've been through
cause no one ever
no one ever, ever compares to you
And my mind is spinning in circles
And my thoughts are running wild
And you know that I would take a bullet
Just to save your life
Just to save your life
And it's hard to turn back time
And it's hard to say goodbye

Even though we are miles apart tonight
I know we can make it right
So just give it a chance
And we can keep it together"

Keep It Together - Puddle of Mudd

quinta-feira, 7 de julho de 2011

500km

Quando a noite cair silenciosa neste incerto fim do mundo em que a minha alma se atolou sem ti, rasga-me a pele e vem pelo meu coração. Quero vê-lo vermelho e brilhante, palpitando com o meu último fôlego de vida, que sobrou em ti depois daquele beijo. Grita com paixão a tua presença se o meu corpo não pressentir a tua chegada, inerte numa espera velha e gasta, que envelhece e desgasta tudo menos a saudade.
Coloca o meu coração nos teus lábios e devolve-o à vida, deposita-o com cuidado no meu peito e fecha a ferida com amor. Ainda estou aqui para ti. Basta que me despertes deste solitário pesadelo onde me olho ao espelho e não te vejo a meu lado, acordo à noite e não estás lá, procuro-te e tudo, até a minha sombra, me parece só. Um devia ser um número proibido.
Dá-me a mão, puxa-me com força, até quebrar o abraço hostil da solidão. Deixa-me enterrar-me nos teus braços, fundir-me com o teu corpo. Vou algemar-te a mim.
E depois, suga-me as memórias negras da tua ausência e não me permitas jamais recordar o sabor salgado das lágrimas de despedida, nem o frio paralisante que se infiltra nos lençóis ásperos quando tu não estás. E aperta-me contra ti, até sentir a tua pulsação, murmura-me ao ouvido as nossas verdades incontornáveis sobre o amor.
Faz as últimas semanas desaparecerem. Volta depressa.