terça-feira, 3 de maio de 2011

Púdicos da linguagem: NÃO LEIAM!

Fode-me a vida até sangrar. Até as minhas palavras eloquentes virarem palavrões crus e ferozes, como a merda que dizes todos os dias. Os actos falhados ressoam nos meus ouvidos como sinos furados gritando um calão rude de além-mar.
Esta noite não é fácil. Mas para o diabo que te leve se me fodes a cabeça por mais um minuto que seja! O meu sangue já corre célere nas veias das minhas têmporas e não é por nenhuma maldita boa razão.
Que ele venha rápido, por amor de Deus!
Estou farta de pensar em ti! Não importas, não, diabos, não! Não desde o momento em que me falas como um puta estúpida que só cresceu mentalmente o suficiente para aprender que todo o mundo gostas de foder os outros!
Ah, se imaginasses a confiança nua que existe na troca destas bestialidades! Se soubesses que grau de intimidade é necessário para as proferir sem consequências! Se imaginasses o amor que é preciso para chamar puta a alguém e ela reagir como se lhe tivessem chamado de querida!
Para o inferno com o que chamas falta de respeito! Sim, isto É para ti!
Porque acabas a martelar-me o cérebro com a merda que dizer! Revolta-te para dentro e não leias mais! Que caralho, não me venhas com comentários que eu não te quero ouvir!
Se não fosses tu, ninguém mais tinha de suportar esta linguagem vil e nojenta de revolta sublimada contra o teclado do computador.
Fode-me mais um pouco esta noite, que amanhã eu já vou deixar de pensar em ti novamente.
Maldição, não hás-de ser assim tão importante! E podes insultar-me o quanto queiras. Perdes mais valor a cada palavra. Mesmo que quem diga os palavrões seja eu.
Lamento-o e é tudo.
Não voltei a chorar.

domingo, 24 de abril de 2011

l--e

It was the end of my little affair...
It was the begging of a real dream.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Guarda-me, estranho

Mantém as portas do inferno fechadas, mantém-nas assim para mim. Quero que outro fogo me consuma as lágrimas e me aqueça por dentro. Quero outra chama a lamber a minha pele.
O sorriso que encontras nos meus lábios esta noite, estranho, é produto da ilusão póstuma do homem. Quando um corpo se encontra demasiado seco, ele racha e rasga, ele quebra-se e sorri para ti, com uma dose ácida de ironia inútil. Mas segue sendo, de uma forma macabra e necrófaga, objecto de paixões incondicionais.
Por isso, estranho, cuida bem deste invólucro ainda inspirante e expirante, ainda doce e sem fendas, mas muito frágil perante os embates da vida. Cuida dele como da tua alma, mantém-no longe do inferno. Apesar de tudo, é somente carne para combustão. E apesar de tudo, precisamos dele.
Há uma caixinha lá dentro, entre vísceras e fluídos, que guarda estes pensamentos, que guarda a memória do teu rosto, estranho, e este improvável afecto por ti. E se o corpo quebra, ela foge como borboleta aprisionada num frasco. Para não voltar jamais.
Assim, estranho, mantém-me quente, mantém-me viva, guarda-me aqui. O sorriso que encontras nos meus lábios esta manhã é tão somente o mais puro reflexo do teu.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

aquela

Basta que uma pessoa, aquela pessoa, use uma palavra, aquela palavra, e o mundo todo roda e brilha. O poder da subjectividade está nas lágrimas e no sorriso que o mesmo sim, ou o mesmo não podem gerar. E para tudo há um segundo significado, aquele que lhe quisermos dar.
Tu.

terça-feira, 19 de abril de 2011

segunda-feira, 18 de abril de 2011

we never know

Não sabes como o meu sorriso permanece depois das tuas palavras. Não sabes o que fazes ao meu batimento cardíaco. Pergunto-me: o que foi isto?
A vida segue pregando-nos partidas, e de repente abrimos a nossa porta de casa e tudo mudou; olhamos para a aquela pessoa que vemos todos os dias e não vemos nada do que víamos antes; descobrimos que podemos ser mais íntimos com os nossos pais, que eles são mais tolerante, compreensivos, realmente mais amigos do que alguma vez pensávamos. Sim, continuamos a cair no engano de subestimar o mundo à nossa volta, temos medo dos braços que mais nos protegem, procuramos na distância aquilo que sempre esteve tão perto, sem todavia sabermos.
Deixa-me um sorriso nos lábios observar a ironia da vida. Imaginamos tanto o futuro, e de tão rebuscadas e improváveis que são as nossas ideias, a realidade consegue sê-lo ainda mais. Mas aí está a doçura de viver, aí estão as memórias que nos embalam à noite, quando tentamos recordar o que é dormir sozinho e acabamos sonhando com a outra pessoa.
Às vezes faço-o ao teu lado também. Não sabes como é estranho acordar ao lado da pessoa com que se sonhou. Pergunto-me: porquê só agora? Mas agradeço por ter sido agora e não depois.
Já tinha saudades de me sentir assim...

domingo, 17 de abril de 2011

Theater

Teatro Lethes, Faro

Pretend but do not fake